Senti saudades...
Foi por isso que te procurei, porque não havia outra solução, nem forma de evitar sequer.
Procurei-te por desejar ver-te de novo. Ali estavas tu. T-shirt vermelha, calças de ganga e um sorriso radiante diante das pessoas com quem tu estavas. Ao longe avistava-te sem receios...vendo como mudaste tanto, como ficaste bem parecido, com uma voz mais aguda.
Olhei para as tuas mãos...tão firmes. Como elas agarravam no copo de sumo...e como sorrias enquanto solvias mais um gole de bebida adocicada...
Nunca soube dizer-te o quanto te amava. Sempre soube que deveria amar-te em segredo. E em segredo te amei até hoje.
Ali estava eu, ao fundo da rua, encostada a uma parede enquanto te via a divertires-te.
Talvez já nem sequer te lembrasses do meu nome, talvez nem te recordasses dos meus beijos que dizias saberem a canela...ao perfume de verão que se misturava docemente na nossa pele depois de mais um dia de praia.
Penso que foi melhor assim, eu ter simplesmente desaparecido.
Tu nem me procuraste, o que me fez confirmar a minha suspeita.
O teu coração não poderia nunca pertencer-me, foi por isso que fui embora.
Quem sabe nos cruzemos um dia. Pode ser que te lembres do meu sorriso, assim como eu gravei atentamente o teu, para que fosse possível recordar-te sem falhar um milimetro.
E assim me fui embora.
Fico feliz por saber que estás bem. Afinal a vida continua para aqueles que a sentem dentro da alma.
Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Mãos
Por favor, imploro-te...agarra a minha mão com a tua.
Antes mesmo de te olhar, de saber como era o teu rosto ou o teu ar de perplexidade, dá-me antes a tua mão.
E tu nem existaste um segundo, nem estremeceste, nem fizeste contas á vida.
A minha mão direita com a tua mão esquerda...
Eram apenas duas mãos que seguravam uma na outra. A tua mão enorme, com os dedos firmes e compridos, a minha pequena e trémula. As nossas mãos juntas, que se apertavam e que se largavam...que se sugavam uma na outra, fazendo suar uma contra a outra para depois se soltarem e agarrarem de novo.
As nossas mãos agora juntas que faziam levitar cada pedaço do meu corpo, cada poro, cada batida do meu coração.
Uma valsa dançada pela mãos de dois simples desconhecidos...
Não era preciso dizer-se mais nada. já tudo fora dito com as palmas das nossas mãos.
Duas mãos que dançam, que fazem amor uma sobre a outra, uma lado a lado com a outra.
Duas mãos que faziam amor...que faziam acontecer o amor.
Antes mesmo de te olhar, de saber como era o teu rosto ou o teu ar de perplexidade, dá-me antes a tua mão.
E tu nem existaste um segundo, nem estremeceste, nem fizeste contas á vida.
A minha mão direita com a tua mão esquerda...
Eram apenas duas mãos que seguravam uma na outra. A tua mão enorme, com os dedos firmes e compridos, a minha pequena e trémula. As nossas mãos juntas, que se apertavam e que se largavam...que se sugavam uma na outra, fazendo suar uma contra a outra para depois se soltarem e agarrarem de novo.
As nossas mãos agora juntas que faziam levitar cada pedaço do meu corpo, cada poro, cada batida do meu coração.
Uma valsa dançada pela mãos de dois simples desconhecidos...
Não era preciso dizer-se mais nada. já tudo fora dito com as palmas das nossas mãos.
Duas mãos que dançam, que fazem amor uma sobre a outra, uma lado a lado com a outra.
Duas mãos que faziam amor...que faziam acontecer o amor.
A subida
A noite estava a chegar.
Depois de uma enorme caminhada sabia que iria chegar finalmente ao local mágico.
O meu corpo cedia ao cansaço, mas nunca ao meu espírito forte, que sempre abraçava aventuras.
Decidi parar um pouco e contemplar a vista de longe. Era realmente espantosa.
Faróis. Enormes faróis erguiam-se ao longe no alto de uma montanha.
De noite era ainda mais bonito contemplá-los.
Deixei-me ficar maravilhada e acabei por ceder e cair no doce relvado em sono profundo.
No meu sonho estava a chegar ao destino.
A doce relva roçava e beijava os meus joelhos, a leve brisa da noite envolvia-me com o seu abraço quente.
Sorri...não haviam motivos para chorar, afinal...tinha chegado.
O cantar das aves ainda de noite se deixava ouvir e os grilos ao longe formavam uma pequena orquestra no breu.
É encantador saber que a natureza nos pode oferecer tanto.
Quando cheguei ao topo da montanha sentia-me exausta mas feliz.
Meti a minha música favorita e lembrei-me de ti.
Subitamente vieram-me á mente pensamentos confusos. Pequenos fragmentos de momentos vividos que não sei bem como recordar de tão apagados.
Como estarias tu agora?
Um som de um carro fez-me despertar. Afinal ainda não havia chegado ao meu destino.
Levantei-me e fiz-me á estrada naquela noite quente de Verão, sem nunca mais conseguir terminar.
Depois de uma enorme caminhada sabia que iria chegar finalmente ao local mágico.
O meu corpo cedia ao cansaço, mas nunca ao meu espírito forte, que sempre abraçava aventuras.
Decidi parar um pouco e contemplar a vista de longe. Era realmente espantosa.
Faróis. Enormes faróis erguiam-se ao longe no alto de uma montanha.
De noite era ainda mais bonito contemplá-los.
Deixei-me ficar maravilhada e acabei por ceder e cair no doce relvado em sono profundo.
No meu sonho estava a chegar ao destino.
A doce relva roçava e beijava os meus joelhos, a leve brisa da noite envolvia-me com o seu abraço quente.
Sorri...não haviam motivos para chorar, afinal...tinha chegado.
O cantar das aves ainda de noite se deixava ouvir e os grilos ao longe formavam uma pequena orquestra no breu.
É encantador saber que a natureza nos pode oferecer tanto.
Quando cheguei ao topo da montanha sentia-me exausta mas feliz.
Meti a minha música favorita e lembrei-me de ti.
Subitamente vieram-me á mente pensamentos confusos. Pequenos fragmentos de momentos vividos que não sei bem como recordar de tão apagados.
Como estarias tu agora?
Um som de um carro fez-me despertar. Afinal ainda não havia chegado ao meu destino.
Levantei-me e fiz-me á estrada naquela noite quente de Verão, sem nunca mais conseguir terminar.
domingo, 10 de julho de 2011
A Mentira
Que beijo tão distante
Provém da tua boca
Tão distante que me meteu rouca
E a alma quase ofegante
Por te sentir de partida
Vendo-te assim tão distante
E o que antes foi bom, soa agora irritante
Irritante por ter perdido o sentido
Daquilo que não foi
Nem poderia ter sido
O sentido da vida
Suou por momentos sufocante
Quando o teu desabafo
Foi dito naquele instante
O de amar sem ter amado
Dizendo que amou em tempo passado
Sem que de veras tivesse gostado
Mostrando a mentira a quem de verdade tinha amado
É irritante ser-se apanhado
Sem saber como se tapar o que se disse
Mas para mim nunca foi tolice
Um mentiroso ser-se apanhado
Provém da tua boca
Tão distante que me meteu rouca
E a alma quase ofegante
Por te sentir de partida
Vendo-te assim tão distante
E o que antes foi bom, soa agora irritante
Irritante por ter perdido o sentido
Daquilo que não foi
Nem poderia ter sido
O sentido da vida
Suou por momentos sufocante
Quando o teu desabafo
Foi dito naquele instante
O de amar sem ter amado
Dizendo que amou em tempo passado
Sem que de veras tivesse gostado
Mostrando a mentira a quem de verdade tinha amado
É irritante ser-se apanhado
Sem saber como se tapar o que se disse
Mas para mim nunca foi tolice
Um mentiroso ser-se apanhado
sábado, 9 de julho de 2011
Claridade
O tempo escureceu de repente.
Foi então que eu saí de casa.
Levei o guarda-chuva na mão e movia-me sem pressa. A pressa trás o tédio que tudo abate.
Movia-me devagar ao som da música.
Movia-me por entre pedras e pequenos pedaços de terra. O santuário ficava mesmo ali á frente.
Subi a íngreme ladeira até lá chegar. Á medida que ia subindo começava a deixar de chover. Sentia o corpo gelado mas não me preocupava. A sensação invernal no corpo sabia-me tão bem. Como eu tinha saudades de voltar a sentir aquele frio de novo.
Quando finalmente cheguei ao cimo avisto o santuário vazio. Caminhei calmamente até á porta de madeira entre-aberta. O solo brilhava lá dentro. Não haviam velas. Somente uma imagem que me aguardava, que esperava um dia a minha vinda. Ali estava eu diante dela pronta para orar por todas as promessas feitas.
Peguei no meu pequeno terço preto e agradeci pela luz que me foi concedida ao fim de tanto tempo de sofrimento. Agradeci por todas as lágrimas que caíram até por fim se terem esgotado.
Quando terminei pensei ter já feito a minha pequena jornada.
Ao voltar-me para a porta avisto-te.
Tinhas o olhar triste. Vi na tua falta de sorriso alguma culpa. Errar é humano e tu sempre encaraste as coisas assim. Mesmo depois desse mesmo erro que dizes ser humano se ter prolongado por tanto tempo e ter ferido tanta gente.
Passei por ti calmamente. Apreciei atentamente o teu desgosto.
Sabes, em tempos fui eu a estar no teu lugar, a sentir esse mesmo desgosto sempre precisar de o sentir.
Na vida há coisas assim, justiças que são feitas sem que tenhamos que mexer-nos, sem que precisemos mostrar o que valemos.
Foi então que eu saí de casa.
Levei o guarda-chuva na mão e movia-me sem pressa. A pressa trás o tédio que tudo abate.
Movia-me devagar ao som da música.
Movia-me por entre pedras e pequenos pedaços de terra. O santuário ficava mesmo ali á frente.
Subi a íngreme ladeira até lá chegar. Á medida que ia subindo começava a deixar de chover. Sentia o corpo gelado mas não me preocupava. A sensação invernal no corpo sabia-me tão bem. Como eu tinha saudades de voltar a sentir aquele frio de novo.
Quando finalmente cheguei ao cimo avisto o santuário vazio. Caminhei calmamente até á porta de madeira entre-aberta. O solo brilhava lá dentro. Não haviam velas. Somente uma imagem que me aguardava, que esperava um dia a minha vinda. Ali estava eu diante dela pronta para orar por todas as promessas feitas.
Peguei no meu pequeno terço preto e agradeci pela luz que me foi concedida ao fim de tanto tempo de sofrimento. Agradeci por todas as lágrimas que caíram até por fim se terem esgotado.
Quando terminei pensei ter já feito a minha pequena jornada.
Ao voltar-me para a porta avisto-te.
Tinhas o olhar triste. Vi na tua falta de sorriso alguma culpa. Errar é humano e tu sempre encaraste as coisas assim. Mesmo depois desse mesmo erro que dizes ser humano se ter prolongado por tanto tempo e ter ferido tanta gente.
Passei por ti calmamente. Apreciei atentamente o teu desgosto.
Sabes, em tempos fui eu a estar no teu lugar, a sentir esse mesmo desgosto sempre precisar de o sentir.
Na vida há coisas assim, justiças que são feitas sem que tenhamos que mexer-nos, sem que precisemos mostrar o que valemos.
domingo, 3 de julho de 2011
Vagabunda
Há muito que não saía...
Fez muito tempo desde a última vez que nos vimos. Parei numa pensão e resolvi passar ali a noite. O lugar era acolhedor e as pessoas eram simpáticas.
A recepcionista disse-me que tinha direito ao pequeno-almoço. Depois de ficar sozinha no quarto desfiz as malas e abri a janela.
Quase não havia movimento. As pessoas hoje em dia não estão para gastar dinheiro. Lembrei-me de quando falavas das tuas aventuras. Gostavas de me dizer que vivias de quarto em quarto. Nunca tinhas moradia certa. Para ti, todos os locais te pertenciam. Talvez por isso tenhas pensado que os corações de outras mulheres também.
Saí do quarto perdida na noite. Não sabermos onde estamos costuma ser uma boa desculpa para o que sucederá. Parei num bar qualquer. Pedi uma bebida e sentei-me numa mesa a um canto. As pessoas olhavam-me com curiosidade. Ser-se novo num sitio sempre despertou a curiosidade dos mais cépticos.
Uma mulher bem vestida veio sentar-se a meu lado. Contou-me um pouco da sua vida e perguntou-me porque estava ali.
No fundo nem eu mesma sabia. Tomei balanço e falei-lhe de ti. Ela ouvia-me atentamente e fazia-me algumas perguntas. Ao fim do quarto copo respondi-lhe a todas as questões sem hesitar.
-Sente-se sozinha? - Perguntava-me ela pensando que vinha em busca de companhia. Nunca lhe disse a verdade, mas ela sabia o quanto me custava tocar no assunto.
- Porque não dorme com outros homens? - Perguntou-me em resposta.
- É uma coisa que há muito não me apetece, a sério. Com ele tenho todos os homens.
Senti que a deixara surpresa. Vi no olhar dela que não estava acostumada a ser mulher do mesmo homem. Por momentos invejei-a.
Paguei a conta e saí para o meio da rua. A noite estava fria, mas eu tinha o corpo quente. Cada um bebe o que pode para vestir o casaco que mais gosta.
Fartei-me daquilo num instante. Em cada bar que parava, cruzava-me sempre contigo. Estavas em todos os copos de Whisky, em cada banco sentado. Via-te duplicado em todos os lados, talvez por ter passado tantos anos sem te ver.
Seria inútil pagar para te ver, quando eu apenas paguei mais um copo.
Deixei-me de coisas e tentei achar o caminho de volta para a pensão.
Quando cheguei tu já lá estavas á minha espera. Achei curioso não teres mudado nada em seis anos. Paguei um quarto de duas camas na esperança de te encontrar quando chegasse. Hoje desejei que esse quarto tivesse apenas uma. Mandei-te embora sem abrir a porta, não seria preciso.
Deixei o copo na mesa de cabeceira e deitei-me exausta por entre os lençóis hirtos do tempo.
No fundo eu sabia que, quando despertasse tu já lá não estarias.
A vida é mesmo assim, cheia de boas lembranças que teimamos em recordar. Mas entre elas, o vazio que as preenche.
Fez muito tempo desde a última vez que nos vimos. Parei numa pensão e resolvi passar ali a noite. O lugar era acolhedor e as pessoas eram simpáticas.
A recepcionista disse-me que tinha direito ao pequeno-almoço. Depois de ficar sozinha no quarto desfiz as malas e abri a janela.
Quase não havia movimento. As pessoas hoje em dia não estão para gastar dinheiro. Lembrei-me de quando falavas das tuas aventuras. Gostavas de me dizer que vivias de quarto em quarto. Nunca tinhas moradia certa. Para ti, todos os locais te pertenciam. Talvez por isso tenhas pensado que os corações de outras mulheres também.
Saí do quarto perdida na noite. Não sabermos onde estamos costuma ser uma boa desculpa para o que sucederá. Parei num bar qualquer. Pedi uma bebida e sentei-me numa mesa a um canto. As pessoas olhavam-me com curiosidade. Ser-se novo num sitio sempre despertou a curiosidade dos mais cépticos.
Uma mulher bem vestida veio sentar-se a meu lado. Contou-me um pouco da sua vida e perguntou-me porque estava ali.
No fundo nem eu mesma sabia. Tomei balanço e falei-lhe de ti. Ela ouvia-me atentamente e fazia-me algumas perguntas. Ao fim do quarto copo respondi-lhe a todas as questões sem hesitar.
-Sente-se sozinha? - Perguntava-me ela pensando que vinha em busca de companhia. Nunca lhe disse a verdade, mas ela sabia o quanto me custava tocar no assunto.
- Porque não dorme com outros homens? - Perguntou-me em resposta.
- É uma coisa que há muito não me apetece, a sério. Com ele tenho todos os homens.
Senti que a deixara surpresa. Vi no olhar dela que não estava acostumada a ser mulher do mesmo homem. Por momentos invejei-a.
Paguei a conta e saí para o meio da rua. A noite estava fria, mas eu tinha o corpo quente. Cada um bebe o que pode para vestir o casaco que mais gosta.
Fartei-me daquilo num instante. Em cada bar que parava, cruzava-me sempre contigo. Estavas em todos os copos de Whisky, em cada banco sentado. Via-te duplicado em todos os lados, talvez por ter passado tantos anos sem te ver.
Seria inútil pagar para te ver, quando eu apenas paguei mais um copo.
Deixei-me de coisas e tentei achar o caminho de volta para a pensão.
Quando cheguei tu já lá estavas á minha espera. Achei curioso não teres mudado nada em seis anos. Paguei um quarto de duas camas na esperança de te encontrar quando chegasse. Hoje desejei que esse quarto tivesse apenas uma. Mandei-te embora sem abrir a porta, não seria preciso.
Deixei o copo na mesa de cabeceira e deitei-me exausta por entre os lençóis hirtos do tempo.
No fundo eu sabia que, quando despertasse tu já lá não estarias.
A vida é mesmo assim, cheia de boas lembranças que teimamos em recordar. Mas entre elas, o vazio que as preenche.
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