Faz muitos anos que não vou a Corroios visitar as minhas tias. É algo que me faz muitas saudades.
No entanto, costumamos falar muito pelo telefone.
Sempre que telefonam para mim, acabo levando com uma bela dose daqueles típicas de tia preocupada e que se resumem a qualquer coisa como:
"Então filha, já namoras?"- Esta é a conversa de topo das minhas tias. Por mais que lhes diga que sim, que continua a ser a mesma pessoa de há mil e quinhentas chamadas atrás, nada melhor do que saber, certificar e ter plena certa que o Alzheimer não faz parte da nossa família.
"A tua mãe diz que estás magra"- Sim! O termo magra não é apenas uma preocupação de muitas mães galinha, mas também das minhas tias. Por mais que eu coma, faça todas as refeições do dia e ainda petisque e aquelas coisas todas muito lindas, para as minhas tias estou sempre magra. Nem quero imaginar então o que significa magra naquelas cabecinhas.
"Tens de descansar mais, filha"- Pois é. Todos nós temos de descansar mais. Afinal de contas, o trabalho faz parte da rotina diária de qualquer pessoa, pelo menos que eu saiba. No entanto, as minhas tias acham sempre que trabalho muito e que tenho que ter cuidado comigo, não se dê o caso de, como estou muito magra, qualquer dia me confundir com um alfinete perdido no palheiro.
"Bebe muita água e cuidado com o sol filha"- É uma grande verdade. Eu trabalhei em locais onde estava muitas vezes exposta ao sol. Sei também que é a preocupação alla titia que se eleva mais alto.
No entanto, eu tenho noção das consequências e...além disso...já não tenho mais 14 anos.
"Ai filha, no outro dia vi a fulana Y e lembrei-me de ti!"- Quando as minhas tias me costumam "ver", por assim dizer, no rosto de alguém, eu sinto a vaga sensação de que deveria de fazer como aquela gente doida que anda por aí gastando resmas de dinheiro em operações plásticas para parecer a Madonna ou o Justin Bieber. Por norma, quando sou lembrada no rosto de alguém, não costuma ser ninguém propriamente encantador, o que me faz correr para o W.C, olhar-me no espelho e ver se tenho macacos no nariz ou o cabelo com uma madeixa de cada cor. Sim minhas gentes, isto vindo das tias nunca se sabe.
"Atão e já pensas em casar?"- Eu morro sempre de medo de ouvir esta pergunta, mas nunca falha.
Não minhas queridas tias. Eu não penso em colocar a corda ao pescoço e mandar-me de um arranha céus maior que o World Trade Center tendo plena certeza de que ninguém me irá socorrer lá em baixo e que irei ficar mais esborrachada no meio de uma passadeira que uma mosca no mata moscas. Por outros termos...eu não penso em casar. Penso em coisas mais úteis. Penso um dia de cada vez.
Poderia levar dias a abrir mais e mais tópicos sobre estas coisinhas todas que só as tias sabem perguntar/dizer, mas não me recordo de mais nada. De certeza que irei lembrar-me de algo já depois de publicar este post, mas que se lixe.
Gosto muito das minhas tias e daria o meu dedo mindinho para matar saudades. No entanto, sei sempre que estas perguntas irão sair na hora, entre outras mais que até tenho medo em pensar.
Da última vez que nos vimos, tinha eu 14 anos, e levei umas calças de ganga super largas, ao que elas me disseram que parecia uma trabalhadora das obras e como é que acabei naquele estado.
Se agora me visse, talvez me perguntassem se eu fazia parte de uma banda de metal qualquer, ou se é mesmo tendência.
Enfiz, está nos genes.
Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.
terça-feira, 22 de março de 2016
Sinto-me triste
Estou triste
Triste com tudo o que se passa no mundo
Fico triste com os pobres que só gostariam de matar a fome aos seus
E triste com os ricos que só não sabem onde gastar o que possuem.
Estou triste com o mundo
Triste com o terrorismo e com esta sede de matança profunda, repleta de raiva desnecessária.
Estou triste por irmos ficando órfãos de grandes génios que ainda tinham o que dar ao mundo
Triste por grandes génios serem substituídos por aprendizes de feiticeiro.
Sinto-me triste pela falta de compaixão das pessoas, pelo desacreditar do meu povo, pelo julgamento cruel que fazemos ao próximo.
E vivemos todos nesta grande tristeza, passando uns pelos outros como estranhos, todos desacreditando de tudo.
Sinto-me triste pela corrupção política que nos circunda, por o dinheiro ser um pedaço de papel cuja ganância e sede de aquisição move fronteiras e não olha a meios.
Tudo isto me faz triste.
Faz-me triste chegar a casa, ligar a televisão, ver as notícias do que se passa lá fora.
Pergunto-me onde iremos chegar com os nossos corações repletos de ódio e rancor, onde iremos chegar em dizer mal uns dos outros, onde iremos chegar em sermos escravos de um governo que não vê nada além de cifrões.
Entristece-me profundamente a falta de preocupação na preservação do mundo em que vivemos, e das alterações climáticas que essa falta de preocupação provoca.
Entristece-me este egocentrismo profundo que temos, em apenas sabermos ver o nosso reflexo e não querermos saber das necessidades dos demais.
Sinto-me profundamente triste com tudo isso.
Triste com tudo o que se passa no mundo
Fico triste com os pobres que só gostariam de matar a fome aos seus
E triste com os ricos que só não sabem onde gastar o que possuem.
Estou triste com o mundo
Triste com o terrorismo e com esta sede de matança profunda, repleta de raiva desnecessária.
Estou triste por irmos ficando órfãos de grandes génios que ainda tinham o que dar ao mundo
Triste por grandes génios serem substituídos por aprendizes de feiticeiro.
Sinto-me triste pela falta de compaixão das pessoas, pelo desacreditar do meu povo, pelo julgamento cruel que fazemos ao próximo.
E vivemos todos nesta grande tristeza, passando uns pelos outros como estranhos, todos desacreditando de tudo.
Sinto-me triste pela corrupção política que nos circunda, por o dinheiro ser um pedaço de papel cuja ganância e sede de aquisição move fronteiras e não olha a meios.
Tudo isto me faz triste.
Faz-me triste chegar a casa, ligar a televisão, ver as notícias do que se passa lá fora.
Pergunto-me onde iremos chegar com os nossos corações repletos de ódio e rancor, onde iremos chegar em dizer mal uns dos outros, onde iremos chegar em sermos escravos de um governo que não vê nada além de cifrões.
Entristece-me profundamente a falta de preocupação na preservação do mundo em que vivemos, e das alterações climáticas que essa falta de preocupação provoca.
Entristece-me este egocentrismo profundo que temos, em apenas sabermos ver o nosso reflexo e não querermos saber das necessidades dos demais.
Sinto-me profundamente triste com tudo isso.
quinta-feira, 17 de março de 2016
Eu tenho o magnetismo mal sintonizado
Por natureza considero-me amiga de conhecer pessoas novas.
Nunca é demais ter alguém para repartir algum momento da nossa vida, seja ele de pequena ou grande importância.
Seja como for, a minha maior tendência é a de atrair cromos ou gente doida.
Ao mesmo tempo que vou fazendo as melhores amizades que alguém pode ter, também vou conhecendo alguns cromos de estimação.
O último caso foi recente e posso, por conseguinte, colocá-lo no topo da lista.
Certo dia o K (nome fictício para não chamar quem quer que seja ao barulho) adicionou-me no facebook. Como eu estava em disposta, aceitei.
Aos poucos, consoante a disponibilidade, íamos falando e tudo parecia normal. Nunca houve um insulto ou o que quer que seja por parte do K. No entanto, certo dia, vi que o K tinha publicado no seu perfil que enfrentava um desgosto de amor.
Pessoalmente nunca tinha conhecido o K.
Numa noite não há muito tempo atrás, o K perguntou-me se faria mal encontrar-se comigo e desabafar, porque se sentia em baixo e precisava desanuviar e desabafar.
Disse que sim.
Observei o perfil do K e constatei que não era nenhuma super star estilo Leonardo Dicaprio nos seus tempos de Romeu e Julieta, mas isso pouco interessava, quando o assunto era ajudar alguém a sentir-se melhor.
Eu e a minha mania de querer ajudar que nunca resulta, falam sempre mais alto.
Posso mesmo dizer que é um defeito meu que ainda estou a aprender a controlar.
Chegado o dia, esperei o K que não havia meio de aparecer. A dada altura vejo um rapaz com um ar muito simpático que, de longe se parecia com ele. Fui olhado para todos os lados mas o meu olhar voltava-se sempre para o lado do tal rapaz. Vi que o rapaz também olhava na minha direção e sorria algumas vezes, o que me levou a tomar a iniciativa e perguntar se era o K. Amavelmente, o sujeito simpático disse-me que não. Pedi desculpa e virei costas procurando o K, quando recebo uma chamada e surge, o que me parecia, um pedinte de esmola dos anos 50 aderindo à tecnologia smartphone.
Olhei para o meu telemóvel...este tocava.
Olhei em frente e o estranho pedinte estava ao telefone. Pior que isso, olhava fixamente para mim, como se soubesse que eu lhe ia dar uma moedinha.
Como se a situação não pudesse piorar mais, constatei que o K era esse sujeito com ar de pedinte.
Diante de mim estava um rapaz raquítico, com boné da loja dos trezentos desbotado e espalmado como um ovo estrelado na cabeça, óculos pretos de sol super fininhos que lhe davam um ar de mosca em corpo de gente, casaco castanho com uma manga subida e outra descida e calças verdes clássicas com a bainha por fazer, que junto dos ténis pretos e rotos faziam uma boca de sino estilo hippie. Mas usava smartphone...e veio cumprimentar-me...
Juro que nesse momento pensei muito na velha frase que "ninguém cruza o nosso caminho por acaso". Estava eu a perguntar-me se ainda me teria que cruzar muitas mais vezes com ele, mas afastei a ideia da cabeça dizendo que iríamos ao nosso café no local mais próximo que encontrei dali, para depois poder fugir mais feliz e ele me perder de vista.
Bem...durante a conversa não há muito que dizer. O K não tinha assunto, falava olhando para a esquerda e para a direita, com a mão esquerda entrelaçada na direita e com os óculos de mosca a tapar-lhe a testa. Quando levava a mão ao boné, pude ver que devia ter no máximo trinta cabelos, para além da barba mal aparada.
Perguntei-lhe como é que ele estava e sobre a situação do famoso desgosto de amor, que agora me fazia sentido ter acontecido. Ele falava vendo o movimento ao redor dele e nunca olhando para mim, dizendo que a ex namorada era uma parva, que ainda uma outra parva e que gostava muito de encontros, porque era um rapaz engatatão.
Só eu sei, como foi que não me ri daquela peripécia e não deixei a conversa prolongar-se muito além do horário que estabeleci para me ir embora, contando os minutos e revistando a mala para não adormecer de tédio perante um sujeito que me disse ter 29 anos, mas que nem sabia que idade teria quando eu chegasse aos 30.
Não gosto de gozar com a vida de ninguém, por isso mesmo todas as pessoas que lerem este texto só irão saber que o sujeito é um tal de K, mas precisei refletir sobre o que me teria levado a ir a um tal encontro surreal com uma vedeta tão demodé.
Assim que tive a minha primeira oportunidade despedi-me e paguei o meu café. O K pagou o seu, o que foi até a única coisa que reconheço que ele reparou que estava correta e segui a minha vida com a frase final mais encantadora de sempre: "Logo marcamos outro café." Lógico que eu não proferi tais palavras, foram todas elas ditas pelo K antes de seguir a sua vida, mas ainda me perguntei quantos copos de vokda preta seriam precisos eu beber para dizer que sim.
Resumindo a história, arrependida do meu tempo perdido, resolvi ir para casa e esquecer que conheci o K. No entanto não deu. O K decidiu mostrar o seu lado sedutor e mandou um pedido de amizade à minha melhor amiga, o que me deixou furiosa tanto a mim como a ela. Confrontei o K via messenger, que me disse que fez sem pensar...frase esta que ouvi tantas vezes que até me esqueci lá no nosso café inesquecível e como tal decidi que o melhor mesmo seria bloquear o K.
Lamento que o K não tenha muitos amigos, mas eu não posso ter pena de toda a gente. Dou-me sempre mal com a velha teoria da pena. Além do mais, para penas, temos as nossas queridas galinhas.
Lamento K, mas tens que ir tentando para outras bandas. Ou a minha cultura se foi naquela momento em que falamos e sofro de literacia, ou de facto eu não entendi uma palavra do que dizias.
Pode ser que o K certo dia mande o pedido de amizade certo a uma K tão solitária como quanto ele e juntos possam Kapear para o planeta Kaput. Até lá oremos para que dê certo.
A juventude dos nossos dias
Algo me entristece em comparação com a minha juventude e a juventude dos tempos atuais.
No meu tempo, eu conhecia a palavra respeito, sabia onde era o meu lugar, aplicava-me nas aulas, respeitava os professores e os meu colegas, era amiga de quem quisesse ser meu amigo e fugia a sete pés de qualquer discussão que surgia no recinto escolar.
Agora já não é assim.
Ninguém consegue domar as feras existentes dentro dos adolescentes, nem o vocabulário que eles falam.
Não me refiro com isto a mensagens de texto, que esse mal assiste a todos, inclusive a nós adultos.
Refiro-me ao vocabulário existente tanto nas escolas como nas redes sociais.
Adolescentes de 11 anos, querendo mandar em adolescentes de 15. O termo animal abunda na boca de qualquer um e toda a atitude ao seu redor é motivo para uma boa sova.
Depois, vamos ao facebook e as coisas não se tornam melhores. O facebook não virou só recinto de cuscos e intrometidos. Virou também local de apelo à criatividade para a alcunha mais idiota existente à face da terra. "Miúda dele", "Bandida dele" e qualquer outra coisa relacionada com o "dele e o dela" são motivo de criação de uma alcunha. Se eu tenho um relacionamento e estou na moda, então o meu facebook tem que se chamar algo como "Dama dele". Por conseguinte, o facebook do meu suposto namorado seria algo como "Damo dela".
E fico parva com isto. Sim, deveria não ficar?
Para variar um pouco os pontos críticos, os namoros também são comuns nessas idades. Um adolescente que ainda ontem nasceu, hoje já namorou meia escola e metade de outra e ainda usa termos como:
"Eu não corro mais atrás dele/dela"
O que deveria uma pessoa dignamente normal responder a isto?
"Correr atrás de quê miúda/miúdo? Perdeste algures a tua mãe/pai no mercado?
Fumar é outra das modas. Também existia no meu tempo, verdade, mas hoje parece uma viral nas escolas de primeiro e segundo ciclos.
Todo o adolescente que não fume um "nipe" ( o termo adolescente para o cigarro) não está inserido no grupo. Sim, leram bem...o GRUPO! Há grupos e para todos os gostos.
Vejo de longe e perto estas situações preocupantes e parece-me que os pais cada vez mais deixam os seus filhos andar à sua vontade. Um dos problemas que leva a esta crescente tendência parte, por vezes, da parte de alguns pais que defendem os seus filhos dizendo que "nunca mentem", quando na verdade não sabem metade do que estes fazem fora de casa.
Lamentável que assim seja.
Estamos ficando órfãos de honestidade, de educação de uns para com os outros, estamos empobrecendo não apenas financeiramente, mas também espiritualmente.
Os jovens são o nosso futuro. Um futuro que se avizinha repleto de insultos e falta de civismo e cultura. Um futuro que pensamos estar ainda distante, mas que talvez não esteja assim tão longe quanto julgamos.
No meu tempo, eu conhecia a palavra respeito, sabia onde era o meu lugar, aplicava-me nas aulas, respeitava os professores e os meu colegas, era amiga de quem quisesse ser meu amigo e fugia a sete pés de qualquer discussão que surgia no recinto escolar.
Agora já não é assim.
Ninguém consegue domar as feras existentes dentro dos adolescentes, nem o vocabulário que eles falam.
Não me refiro com isto a mensagens de texto, que esse mal assiste a todos, inclusive a nós adultos.
Refiro-me ao vocabulário existente tanto nas escolas como nas redes sociais.
Adolescentes de 11 anos, querendo mandar em adolescentes de 15. O termo animal abunda na boca de qualquer um e toda a atitude ao seu redor é motivo para uma boa sova.
Depois, vamos ao facebook e as coisas não se tornam melhores. O facebook não virou só recinto de cuscos e intrometidos. Virou também local de apelo à criatividade para a alcunha mais idiota existente à face da terra. "Miúda dele", "Bandida dele" e qualquer outra coisa relacionada com o "dele e o dela" são motivo de criação de uma alcunha. Se eu tenho um relacionamento e estou na moda, então o meu facebook tem que se chamar algo como "Dama dele". Por conseguinte, o facebook do meu suposto namorado seria algo como "Damo dela".
E fico parva com isto. Sim, deveria não ficar?
Para variar um pouco os pontos críticos, os namoros também são comuns nessas idades. Um adolescente que ainda ontem nasceu, hoje já namorou meia escola e metade de outra e ainda usa termos como:
"Eu não corro mais atrás dele/dela"
O que deveria uma pessoa dignamente normal responder a isto?
"Correr atrás de quê miúda/miúdo? Perdeste algures a tua mãe/pai no mercado?
Fumar é outra das modas. Também existia no meu tempo, verdade, mas hoje parece uma viral nas escolas de primeiro e segundo ciclos.
Todo o adolescente que não fume um "nipe" ( o termo adolescente para o cigarro) não está inserido no grupo. Sim, leram bem...o GRUPO! Há grupos e para todos os gostos.
Vejo de longe e perto estas situações preocupantes e parece-me que os pais cada vez mais deixam os seus filhos andar à sua vontade. Um dos problemas que leva a esta crescente tendência parte, por vezes, da parte de alguns pais que defendem os seus filhos dizendo que "nunca mentem", quando na verdade não sabem metade do que estes fazem fora de casa.
Lamentável que assim seja.
Estamos ficando órfãos de honestidade, de educação de uns para com os outros, estamos empobrecendo não apenas financeiramente, mas também espiritualmente.
Os jovens são o nosso futuro. Um futuro que se avizinha repleto de insultos e falta de civismo e cultura. Um futuro que pensamos estar ainda distante, mas que talvez não esteja assim tão longe quanto julgamos.
sábado, 12 de março de 2016
O que está a dar é aparecer na televisão
Chamam-lhe Reality shows. Eu chamo-lhe a vergonha da televisão em direito.
Uma forma de atingir gregos e troianos com a vida alheia diretamente de qualquer canal de televisão.
Como não poderia deixar de ser, Portugal tem sido um grande adepto deste formato de programas que, infelizmente, tem vindo a conseguir um número acrescido de espectadores assíduos.
A que se deve tanta fama?
Mas antes de mais, deixo a pergunta:
Porquê este tipo de programas?
A resposta é simples. Muito simples.
As pessoas já não se interessam por cultura. Já ninguém quer saber de um bom documentário sobre a nossa história. É demasiado aborrecido ver tal coisa. Para quê saber do que foi feito pelos nossos antepassados? Muito mais interessante ver meninos e meninas jovens a entrar para uma casa, completamente entre quatro paredes, a discutir, a comerem-se, a enganarem-se e a baterem-se. No clímax deste tipo de programa, ainda há o vencedor da vergonha. Aquele que para uns é considerado o melhor jogador, mas que eu chamaria de desavergonhado com melhor perícia. Aquele que conseguiu chegar mais longe.
E ainda há quem se orgulhe de dizer que participou em programas do género e que o fez por falta de dinheiro.
Ok, é verdade, todos nós temos falta de dinheiro. No entanto, por mais falta de dinheiro que me faça, não me vejo a entrar num programa assim, e subitamente ver a minha vida investigada até ao último suspiro.
As pessoas deixam de ter as suas vidas privadas. Tudo se sabe. Absolutamente tudo.
Não estou a chamar aos concorrentes de coitadinhos, porque cada pessoa que se inscreve, só o faz porque quer. Deve de ser divertido, quem sabe. Vamos lá fazer da minha vida uma novela da noite digna da TVI, cheia de mortos e feridos, conspirações e intrigas.
Sempre que ligo a televisão é só isto que vejo: Programas que de forma alguma contribuem para a minha instrução, até a atrapalham, telenovelas em que só nos leva a seguir os lindos exemplos que vemos, homicídios e mortes a torto e a direito, ou porque a tia era rica e a sobrinha tem que deitar as mãos na fortuna, ou porque o pai era um canalha que só queria os bens da mulher para se mandar para o México com a amante...enfim. Coisas lindas, só mesmo na televisão.
A novidade está para chegar.
O dito programa em que entram jovens esbeltas e rapazes janotas e se cruzam numa dada circunstância, acabando por descobrir que são feitos um para o outro.
A sério?
Diria eu que é o programa perfeito das encalhadas que não conseguem ter uma vida feliz sem um macho que lhes faça uma festa no pelo, ou das espertinhas que não prescindem deles para lhes bancar as despesas. Estes programas são perfeitos para estas coisas todas.
Afinal de contas, vivemos num país de golpes, quer de estado, quer amorosos, ou até no controle de umas pessoas para com as outras. Lindo, não é?
Para quê me inscrever para a casa dos segredos? Se eu quiser a minha vida exposta, tenho o facebook. Nem preciso ir tão longe. Pelo menos enquanto uns se vão entretendo a ler que casei ou que tenho 80 filhos, vou fazendo a minha vida no mundo real, que é o aqui e o agora.
A parte a que chamo a "Comédia da situação", é que os concorrentes ficam famosos e até têm fãs.
Por outras palavras, uma mulher que aparenta ser uma criatura de respeito, subitamente revela-se uma menina da rotunda e tem um milhão de fãs porque sim, porque a revelação foi espantosa e não é fácil admitir o estatuto social perante o mundo e em direito.
Valha-me Deus...eu sou mesmo deste mundo?
Ainda bem que sempre há um bom livro para ler, pessoas para conversar, vida para se ter.
Ainda bem que nasci o tipo de pessoa que tenho com o que me ocupar sem ser vendo o que os outros fazem num programa. Os coitados ainda são pagos para fazerem a figura que fazem. Triste mesmo é que ninguém os manda fazer aquela figura. Fazem simplesmente porque querem ser alguém no mundo. Seja de que forma for...o que importa é mostrar que estão ali, o que não é para todos...no ponto de vista de quem concorre ao medíocre.
Uma forma de atingir gregos e troianos com a vida alheia diretamente de qualquer canal de televisão.
Como não poderia deixar de ser, Portugal tem sido um grande adepto deste formato de programas que, infelizmente, tem vindo a conseguir um número acrescido de espectadores assíduos.
A que se deve tanta fama?
Mas antes de mais, deixo a pergunta:
Porquê este tipo de programas?
A resposta é simples. Muito simples.
As pessoas já não se interessam por cultura. Já ninguém quer saber de um bom documentário sobre a nossa história. É demasiado aborrecido ver tal coisa. Para quê saber do que foi feito pelos nossos antepassados? Muito mais interessante ver meninos e meninas jovens a entrar para uma casa, completamente entre quatro paredes, a discutir, a comerem-se, a enganarem-se e a baterem-se. No clímax deste tipo de programa, ainda há o vencedor da vergonha. Aquele que para uns é considerado o melhor jogador, mas que eu chamaria de desavergonhado com melhor perícia. Aquele que conseguiu chegar mais longe.
E ainda há quem se orgulhe de dizer que participou em programas do género e que o fez por falta de dinheiro.
Ok, é verdade, todos nós temos falta de dinheiro. No entanto, por mais falta de dinheiro que me faça, não me vejo a entrar num programa assim, e subitamente ver a minha vida investigada até ao último suspiro.
As pessoas deixam de ter as suas vidas privadas. Tudo se sabe. Absolutamente tudo.
Não estou a chamar aos concorrentes de coitadinhos, porque cada pessoa que se inscreve, só o faz porque quer. Deve de ser divertido, quem sabe. Vamos lá fazer da minha vida uma novela da noite digna da TVI, cheia de mortos e feridos, conspirações e intrigas.
Sempre que ligo a televisão é só isto que vejo: Programas que de forma alguma contribuem para a minha instrução, até a atrapalham, telenovelas em que só nos leva a seguir os lindos exemplos que vemos, homicídios e mortes a torto e a direito, ou porque a tia era rica e a sobrinha tem que deitar as mãos na fortuna, ou porque o pai era um canalha que só queria os bens da mulher para se mandar para o México com a amante...enfim. Coisas lindas, só mesmo na televisão.
A novidade está para chegar.
O dito programa em que entram jovens esbeltas e rapazes janotas e se cruzam numa dada circunstância, acabando por descobrir que são feitos um para o outro.
A sério?
Diria eu que é o programa perfeito das encalhadas que não conseguem ter uma vida feliz sem um macho que lhes faça uma festa no pelo, ou das espertinhas que não prescindem deles para lhes bancar as despesas. Estes programas são perfeitos para estas coisas todas.
Afinal de contas, vivemos num país de golpes, quer de estado, quer amorosos, ou até no controle de umas pessoas para com as outras. Lindo, não é?
Para quê me inscrever para a casa dos segredos? Se eu quiser a minha vida exposta, tenho o facebook. Nem preciso ir tão longe. Pelo menos enquanto uns se vão entretendo a ler que casei ou que tenho 80 filhos, vou fazendo a minha vida no mundo real, que é o aqui e o agora.
A parte a que chamo a "Comédia da situação", é que os concorrentes ficam famosos e até têm fãs.
Por outras palavras, uma mulher que aparenta ser uma criatura de respeito, subitamente revela-se uma menina da rotunda e tem um milhão de fãs porque sim, porque a revelação foi espantosa e não é fácil admitir o estatuto social perante o mundo e em direito.
Valha-me Deus...eu sou mesmo deste mundo?
Ainda bem que sempre há um bom livro para ler, pessoas para conversar, vida para se ter.
Ainda bem que nasci o tipo de pessoa que tenho com o que me ocupar sem ser vendo o que os outros fazem num programa. Os coitados ainda são pagos para fazerem a figura que fazem. Triste mesmo é que ninguém os manda fazer aquela figura. Fazem simplesmente porque querem ser alguém no mundo. Seja de que forma for...o que importa é mostrar que estão ali, o que não é para todos...no ponto de vista de quem concorre ao medíocre.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Liberdade de expressão é direito de qualquer cidadão
Eu tenho um blog.
Tal como eu, muitos outros tantos de milhares de utilizadores.
O blog é um espaço para a criatividade. Pode ser um diário, pode ser um jornal de notícias ou o que bem entender na ideia do seu criador.
Criei este blog para libertar a minha mente de todas as coisas que me sufocavam, quer gostassem, quer não.
Não criei um blog para agradar ao mundo, para ter um milhão de seguidores e ser popular.
Criei um blog porque gosto de divulgar o que sinto, quer por história, quer por poesia, ou rir de situações alheias e completamente tolas.
Gosto de escrever o que me vai na mente e nunca, em momento algum, usei o meu blog para divulgar o nome de ninguém. Em vez disso, uso letras do alfabeto, quer vogais, quer consoantes, para denominar pessoas sem que saiba quem são. Posso ter imaginado a história, como posso ter contado algo pelo qual passei. O importante é que me sinto bem com o que faço e não me arrependo.
Tal como a maior parte dos cidadãos de todo o mundo, sou uma pessoa consciente dos meus atos e sei até que ponto posso ir.
Como tal, decidi escrever este comentário, pois sei que há sempre um leitor ou outro que se pode sentir completamente dentro do meu mundo criativo.
Todos nós temos uma música que parece ter sido feita a pensa na nossa vida, como se o compositor soubesse de todos os nossos segredos. Estranho não?
Talvez nem tanto.
Eu sei que há pessoas, que em algum momento, também já se identificaram com o que escrevi.
Tanto que sei, que lhes fico grata por saber que acham que as minhas histórias lhes pertencem.
Um blog não só é um espaço criativo, mas também um espaço que apenas pertence ao seu criador.
Como tal, para pessoas mais sensíveis, caso não gostem da leitura, POR FAVOR...mudei de blog.
Leiam algo de que gostem. Leiam as notícias do mundo, leiam literatura...leiam Fernando Pessoa.
Leiam o que vos faz sentir bem e não o contrário.
O blog é propriedade do seu criador, como já citei. Como tal, só o criador tem o poder de decidir aquilo que publica.
Um bem haja a todos os leitores que, de alguma forma, acharam que as histórias aqui descritas, eram as suas vidas descriminadas. Um bem haja ainda maior, a quem perdeu tempo a ler. É com tempo perdido nestes interesses inúteis que os blogs continuam ativos.
Tal como eu, muitos outros tantos de milhares de utilizadores.
O blog é um espaço para a criatividade. Pode ser um diário, pode ser um jornal de notícias ou o que bem entender na ideia do seu criador.
Criei este blog para libertar a minha mente de todas as coisas que me sufocavam, quer gostassem, quer não.
Não criei um blog para agradar ao mundo, para ter um milhão de seguidores e ser popular.
Criei um blog porque gosto de divulgar o que sinto, quer por história, quer por poesia, ou rir de situações alheias e completamente tolas.
Gosto de escrever o que me vai na mente e nunca, em momento algum, usei o meu blog para divulgar o nome de ninguém. Em vez disso, uso letras do alfabeto, quer vogais, quer consoantes, para denominar pessoas sem que saiba quem são. Posso ter imaginado a história, como posso ter contado algo pelo qual passei. O importante é que me sinto bem com o que faço e não me arrependo.
Tal como a maior parte dos cidadãos de todo o mundo, sou uma pessoa consciente dos meus atos e sei até que ponto posso ir.
Como tal, decidi escrever este comentário, pois sei que há sempre um leitor ou outro que se pode sentir completamente dentro do meu mundo criativo.
Todos nós temos uma música que parece ter sido feita a pensa na nossa vida, como se o compositor soubesse de todos os nossos segredos. Estranho não?
Talvez nem tanto.
Eu sei que há pessoas, que em algum momento, também já se identificaram com o que escrevi.
Tanto que sei, que lhes fico grata por saber que acham que as minhas histórias lhes pertencem.
Um blog não só é um espaço criativo, mas também um espaço que apenas pertence ao seu criador.
Como tal, para pessoas mais sensíveis, caso não gostem da leitura, POR FAVOR...mudei de blog.
Leiam algo de que gostem. Leiam as notícias do mundo, leiam literatura...leiam Fernando Pessoa.
Leiam o que vos faz sentir bem e não o contrário.
O blog é propriedade do seu criador, como já citei. Como tal, só o criador tem o poder de decidir aquilo que publica.
Um bem haja a todos os leitores que, de alguma forma, acharam que as histórias aqui descritas, eram as suas vidas descriminadas. Um bem haja ainda maior, a quem perdeu tempo a ler. É com tempo perdido nestes interesses inúteis que os blogs continuam ativos.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
A mania das pessoas em querer saber tudo da vida de todos
Há sensivelmente três anos atrás, comecei a trabalhar na área das promoções e muitos dos espaços para onde eu tinha de ir, eram partilhados com um ou mais colegas de trabalho.
Foi assim que, passado pouco tempo, conheci uma colega de trabalho a que chamarei de P.
A P era uma senhora na casa dos 47, atualmente com 50, e muito simpática com toda a gente. Era muito fácil ser-se amigo da P. Por vezes até sabia bem trabalhar com a P. No entanto, de uma momento para o outro, eu e a P ficamos muito amigas e a P começou a ligar-me com mais frequência para saber como eu estava.
Inicialmente tudo corria bem. No entanto, com o passar do tempo, começo a reparar que as chamadas da P eram de uma frequência cada vez maior e obsessiva.
De um momento para o outro, fizesse eu o que fizesse, era bombardeada com todo o tipo de chamadas.
Sem querer dar grande importância ao pormenor em questão, falei com a P para apenas não me ligar na minha hora de trabalho, coisa que a P respondeu com um sim, mas atuou com um Não.
Todo o santo dia, no meu horário de serviço, eu era bombardeada pela P. O teor da conversa?
Nada mais, nada menos do que: "Onde estás, o que fazes, com quem, quando voltas, quanto ganhas, quanto custou"...
Começo a não achar muita piada ao tipo de atitude da P, mas vou aguentando o barco.
Numa dada altura da minha vida, comecei a trabalhar com a P nos mesmos espaços e comecei a reparar em pequenos pormenores. Tudo o que eu tinha, a P tinha que arranjar parecido. Primeiro, ria-se das coisas que eu tinha, dizendo que eu arranjava todo o tipo de bugiganga. No dia seguinte, tinha precisamente a mesma coisa que eu.
Mais tarde passou a controlar o valor das coisas que eu tinha. Quanto custou? Porque gastaste esse x se podias gastar este x? Coisas assim do género.
Lembro-me de me sentar e pensar precisamente sobre a minha idade e a idade da P, questionando-me qual o grau de parentesco que nos unia.
Alguns meses mais tarde, a dita P decidiu preencher a sua solidão com uma quantidade de chamadas despropositada. De minuto a minuto, fazia a sua chamada. Não sendo atendida, repetia a proeza, numa tentativa de conseguir forçar-me a falar com ela, quando eu não podia. Na verdade, nem podia, nem queria. Até mesmo quando eu já podia, não fazia questão de atender, sabendo sempre a conversa que aí vinha e que, no final da novela mexicana que este enredo se tornara, eu iria desligar sempre a encenar o meu melhor papel, quando na verdade estava rebentando pelas costuras.
A minha vida, de um momento para o outro, passou a ser alvo de controle, de diversão e de preenchimento do tempo livre da P, que aliás, era muito. Tempo para coisa que não lhe faltava.
A forma como a P preenchia o seu tempo, era passando o dia a telefonar-me. Se eu não entendia ao fim de mil e quinhentas tentativas de chamada, ligava para uma amiga minha de quem ela também tinha o número. Por fim, se a minha amiga não lhe dava bola, ligava para minha casa, massacrando o tempo a quem quer que lhe atendesse o telefone.
Chegou mesmo ao ponto de estar a trabalhar numa escola de primeiro e segundo ciclo onde a minha irmã mais nova estudava, e massacrar a minha irmã, pedindo-lhe informações a meu respeito de todo o modo possível e imaginário.
O derradeiro adeus a esta situação começou quando eu decidi instalar um programa no meu telemóvel para bloquear as chamadas da P. Mais adiante, cada encontro era preenchido com piadas e bocas de quem demonstrava ser um mapa da minha vida, mais do que eu mesma. Aguentei e aguentei e inspirava e expirava numa tentativa de pensar que, em algum dia, tudo aquilo iria acabar.
E acabou mesmo. Acabou quando a P decidiu ter a mania que sabia com quem eu falava ao telefone e que eu trabalhava em lado Y em vez de lado X. Acabou nesse preciso instante, quando eu me levantei e a encarei nos olhos e abri por fim a minha boca, sem me preocupar com quem ouvia. Acabou quando eu projetei a minha voz de forma a que a P ficasse colada ao encosto do banco em que estava sentada, surpreendida pela minha coragem e sem argumentos para me dar. Acabou quando eu lhe pedi que se preocupasse com o filho que tem, em vez de se preocupar comigo, porque eu também tenho mãe. Acabou quando eu lhe disse que era uma vergonha, uma mulher da idade da P, meter-se na vida de alguém quando nunca fez nada por mim.
Lamento que as coisas tenham chegado a este extremo.
Por norma admito, sou uma pessoa muito paciente e tolerante e penso sempre em respeitar os outros. No entanto, comecei a dar-me conta que, se calhar, esta não é defesa alguma para pessoas como a P.
Aprendi todos os dias com o que via e serviu-me de lição, embora possa parecer que tomei a atitude já um pouco tarde.
Nunca se é tarde quando se sente que é chegada a altura de se dizer o que se sente.
O importante é mandar embora o que nos afeta, o que nos faz mal e que consideramos tóxico. Para mim, a P, não passava de uma pedra no meu sapato, que eu tive de aprender a mandar embora.
Assim foi. Foi embora para bem longe e o que é certo é que ontem choveu e hoje, o sol teima em querer espreitar.
Foi assim que, passado pouco tempo, conheci uma colega de trabalho a que chamarei de P.
A P era uma senhora na casa dos 47, atualmente com 50, e muito simpática com toda a gente. Era muito fácil ser-se amigo da P. Por vezes até sabia bem trabalhar com a P. No entanto, de uma momento para o outro, eu e a P ficamos muito amigas e a P começou a ligar-me com mais frequência para saber como eu estava.
Inicialmente tudo corria bem. No entanto, com o passar do tempo, começo a reparar que as chamadas da P eram de uma frequência cada vez maior e obsessiva.
De um momento para o outro, fizesse eu o que fizesse, era bombardeada com todo o tipo de chamadas.
Sem querer dar grande importância ao pormenor em questão, falei com a P para apenas não me ligar na minha hora de trabalho, coisa que a P respondeu com um sim, mas atuou com um Não.
Todo o santo dia, no meu horário de serviço, eu era bombardeada pela P. O teor da conversa?
Nada mais, nada menos do que: "Onde estás, o que fazes, com quem, quando voltas, quanto ganhas, quanto custou"...
Começo a não achar muita piada ao tipo de atitude da P, mas vou aguentando o barco.
Numa dada altura da minha vida, comecei a trabalhar com a P nos mesmos espaços e comecei a reparar em pequenos pormenores. Tudo o que eu tinha, a P tinha que arranjar parecido. Primeiro, ria-se das coisas que eu tinha, dizendo que eu arranjava todo o tipo de bugiganga. No dia seguinte, tinha precisamente a mesma coisa que eu.
Mais tarde passou a controlar o valor das coisas que eu tinha. Quanto custou? Porque gastaste esse x se podias gastar este x? Coisas assim do género.
Lembro-me de me sentar e pensar precisamente sobre a minha idade e a idade da P, questionando-me qual o grau de parentesco que nos unia.
Alguns meses mais tarde, a dita P decidiu preencher a sua solidão com uma quantidade de chamadas despropositada. De minuto a minuto, fazia a sua chamada. Não sendo atendida, repetia a proeza, numa tentativa de conseguir forçar-me a falar com ela, quando eu não podia. Na verdade, nem podia, nem queria. Até mesmo quando eu já podia, não fazia questão de atender, sabendo sempre a conversa que aí vinha e que, no final da novela mexicana que este enredo se tornara, eu iria desligar sempre a encenar o meu melhor papel, quando na verdade estava rebentando pelas costuras.
A minha vida, de um momento para o outro, passou a ser alvo de controle, de diversão e de preenchimento do tempo livre da P, que aliás, era muito. Tempo para coisa que não lhe faltava.
A forma como a P preenchia o seu tempo, era passando o dia a telefonar-me. Se eu não entendia ao fim de mil e quinhentas tentativas de chamada, ligava para uma amiga minha de quem ela também tinha o número. Por fim, se a minha amiga não lhe dava bola, ligava para minha casa, massacrando o tempo a quem quer que lhe atendesse o telefone.
Chegou mesmo ao ponto de estar a trabalhar numa escola de primeiro e segundo ciclo onde a minha irmã mais nova estudava, e massacrar a minha irmã, pedindo-lhe informações a meu respeito de todo o modo possível e imaginário.
O derradeiro adeus a esta situação começou quando eu decidi instalar um programa no meu telemóvel para bloquear as chamadas da P. Mais adiante, cada encontro era preenchido com piadas e bocas de quem demonstrava ser um mapa da minha vida, mais do que eu mesma. Aguentei e aguentei e inspirava e expirava numa tentativa de pensar que, em algum dia, tudo aquilo iria acabar.
E acabou mesmo. Acabou quando a P decidiu ter a mania que sabia com quem eu falava ao telefone e que eu trabalhava em lado Y em vez de lado X. Acabou nesse preciso instante, quando eu me levantei e a encarei nos olhos e abri por fim a minha boca, sem me preocupar com quem ouvia. Acabou quando eu projetei a minha voz de forma a que a P ficasse colada ao encosto do banco em que estava sentada, surpreendida pela minha coragem e sem argumentos para me dar. Acabou quando eu lhe pedi que se preocupasse com o filho que tem, em vez de se preocupar comigo, porque eu também tenho mãe. Acabou quando eu lhe disse que era uma vergonha, uma mulher da idade da P, meter-se na vida de alguém quando nunca fez nada por mim.
Lamento que as coisas tenham chegado a este extremo.
Por norma admito, sou uma pessoa muito paciente e tolerante e penso sempre em respeitar os outros. No entanto, comecei a dar-me conta que, se calhar, esta não é defesa alguma para pessoas como a P.
Aprendi todos os dias com o que via e serviu-me de lição, embora possa parecer que tomei a atitude já um pouco tarde.
Nunca se é tarde quando se sente que é chegada a altura de se dizer o que se sente.
O importante é mandar embora o que nos afeta, o que nos faz mal e que consideramos tóxico. Para mim, a P, não passava de uma pedra no meu sapato, que eu tive de aprender a mandar embora.
Assim foi. Foi embora para bem longe e o que é certo é que ontem choveu e hoje, o sol teima em querer espreitar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)