Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.



sábado, 16 de outubro de 2010

Estranhas sensações

A sua pele estava molhada iluminada pela luz da lua cheia.
Os reflexos da noite iluminavam-na tonando os seus tecidos cristalinos.
Vi os seus olhos fechados mas sabia que ele não dormia. Deitei-me do seu lado esperando que ele sentisse a minha chegada.
Observei a sua silhueta perfeita misturada com a luz da lua que agora nos cobria a ambos naquela noite fria e húmida.
As folhas das árvores cobriam todo o chão á nossa volta. Para trás, o que ficou, pouco importava. Éramos um agora. A união perfeita.
Fechei os meus olhos com medo de ver tudo aquilo que sentia. Fechei-os com forças. O amor dói por vezes. Fere-nos sem querer e quando despertamos já não somos mais nada.
A sua voz ecoa na minha cabeça. Os seus olhos estão nos meus olhos, presos nos meus olhos. Amarrados aos meus olhos. Consigo sentir os seus olhos brilhantes e luminosos mesmo com os meus fechados.
O seu corpo é o manto que me cobre. Os seus carinhos são a fonte de amor alegria a paz.
Tento afastar-me para respirar, mas não consigo. Aquele homem, aquele ser perfeito a quem me rendi é agora droga que alimenta a minha fonte de viver. O único prazer de que desfruto sem me cansar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eras tu afinal

De todas as vezes que me dei
Foram tantas as vezes
Tantas que já nem sei
E eras tu no corpo dele
Eras tu quem eu amei
Seu corpo sem valor
Tua alma carregava
Enquanto eu cegamente
Em teus braços mergulhava
De tantas vezes que me dei
Foram tantas que nem sei
Mas amá-lo não amei
Pois só agora reparei
Que no ser que eu vislumbrava
Eras tu...a alma que eu amava.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

No seio de uma noite gélida

Reparei que já dormia. Era tarde. Toquei levemente na sua face rosada. Depois saí do compartimento onde nos encontrávamos. Desci as íngremes escadas e mergulhei no breu.
Vislumbrei uma janela ao fundo da sala, olhei para o exterior e vi a noite sob o meu olhar fatigado.
Do lado de fora o mundo dormia solitário. No interior nada mais se passava além do bater de dois corações vadios e sem rumo. Perguntei-me se algum dia te acharia.
Fiquei sentada nas escadas, esperei a noite passar. Sentia as pálpebras pesadas. Havia duas noites que não dormia. O peso da alma era mais forte agora. Quanto mais tempo aguentaria?
As horas naquele lugar passavam lentamente, sempre com o mesmo pesar. Os dias eram curtos e chuvosos.
O frio envolvia-me nos seus braços a cada segundo. As gotas de água que caiam beijava-me levemente a face pálida. Um arrepio sóbrio empurrava-me contra o abismo. Uma gargalhada estridente fez-me recuar dois passos. Ele vinha a caminho, ao meu encontro, para me ferir uma vez mais. Podia sentir o seu cheiro fétido, os seus passos apressados no escuro da noite, a anunciar a doce vinda da neve branca e cristalina.
No escuro era impossível ver-te o rosto. Era impossível sentir o bater mísero do teu coração desumano.
Deixei-me ficar. Tu não vinhas. Talvez fosse apenas ilusão. Talvez.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Até ao último instante

Foges-me...e nada poderei fazer para fazer-te voltar. Sinto os teus débeis ossos tocarem docemente na minha mão, a tua fraca respiração no meu regaço, ofegante, cansada pelas horas de luta, horas essas que correm contra ti. Corro para te apanhar. Grito dentro de mim para te trazer de volta para mim, para te poder ver cantar, para te poder ver buscar-me quando chego a casa.
Procuro por um pedaço de ti. Chamo-te, mas não me ouves. Respiras mais uma golfada de ar. Pergunto-me quantas mais golfadas suportará esse fraco coração, que bate agora contra o tempo. Tu e o tempo numa luta desigual e tu a saberes que irás ser vencido por ele...e eu a gritar por dentro, porque não consigo recuperar-te.
Tenho os olhos manchados de lágrimas. Uma profunda dor vinda do mais profundo da minha alma. Serão os meus últimos momentos contigo, eu sinto-o e é isso que mais me dói. Não poder fazer nada. Apenas recordar quando te levei para casa, o teu doce calor que afagava o meu rosto, que limpava as minhas lágrimas, que me dava sempre alegria nos momentos de maior angústia. Estiveste sempre comigo e agora...Como suportarei deixar-te partir? O que restará depois da partida diz-me...
Diz-me com quantas peças se contrói um coração feito em pedaços, com quantos tubos de cola se colam os cacos que jazem pelo chão da sala.
Aquela sensação de impotência, a mesma notícia todos os dias...depois...aquela dor forte vinda do coração. A saudade que já se faz chegar, a saudade da tua falta ainda contigo do meu lado, sem saber até quando estarás comigo, sabendo que não poderemos mais correr juntos nesta estrada da vida.
Sinto-me morrer por dentro por saber que tens de partir. Custa saber da verdade, aquela que dói sempre.
Sinto o meu corpo cansado, mas tu sabes...eu nunca deixarei de lutar por ti até ao último suspiro. E quando ele chegar, eu estarei do teu lado para te deixar voar.

Por ti não mais esperarei

Há momentos em que te arrependes e desejas voltar
Há alturas em que decido virar-te as costas, depois de tantas vezes te esperar
Por mais que me desejes
Eu não irei lá estar
Esperei por ti tantos dias
Quantas noites eu cheirei
Por mais que digas que me amas
Eu sei que tu apenas me enganas
Por isso digo-te, não te esperarei
Deixei para trás o meu passado
O presente eu abracei
Feliz me sinto agora
Deixei-te e fui embora
Tu sabes, não te quererei!
Por isso vai, vai embora
Não penses em mais voltar
Tu sabes que é pura ilusão
Abrir-te o meu coração
Não quero voltar-te a encontrar
Foram muitas as lágrimas que por ti derramei
E houve dias em que desesperei
Perder-te, nunca te perdi
Se disse que algum dia te amei, pois menti
Fingiste e também fingi
Já sabes que para ti não estarei
Agora para mim és passado
Para ti meu coração está fechado
Entre nós está tudo acabado
Por ti não mais esperarei.

                    (Poema dedicado a um amor passado, mais que ultrapassado)

domingo, 10 de outubro de 2010

Amor possesso

Ceguei, amor, se soubesses, de cada vez que tento esticar ambos os braços não te sinto. Lanço ambas as mãos para o vazio em busca do teu corpo, ou mesmo uma parte de ti, mas não te encontro. O amor tirou-me toda a visão.
Tento chegar mais perto de ti, cruzar os nossos corpos, cruzar os nossos dedos, mas não te vejo. Sinto que nem hoje nem amanhã te verei. Hoje ceguei de amores por ti e nunca saberei dizer-te porque ceguei, porque motivo o meu campo de visão não é recuperado, porque motivo temo que te afastes sem poder ver-te ir.
Amar é temer a nós mesmos. É ser o pior dos cobardes, o pior dos idiotas, mas ser cobarde por amor é algo que não me envergonha. Depois de todo este tempo, depois de todo o calor que recebei dos teus braços, depois da chama, de toda a tempestade, sinto que te amo mais a cada momento e que a cada momento que passa vou ficando mais e mais idiota...que nada faço para deter os meus sentimentos de avançar.
Percebo que o amor nos cega, nos tira as forças, faz de nós uns fracos e agradeço-te profundamente por isso, por me tirares as forças, por fazeres de mim uma fraca, alguém sem rumo e sem assunto, alguém com quem provavelmente ninguém queria ter uma conversa, sentar-se, ter por perto, do seu lado como me tens do teu, eu, este pobre animal indefeso, agora possuído pela sobra do amor soberano.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Palavras mudas

Um dia poderei compreender porque ver-te sorrir me enche os olhos de lágrimas. São lágrimas de emoção. Talvez um dia possas dizer-me porque me consegues fazer amar-te tanto, quando por fim os nossos corpos se separarem das amarras da alma. Talvez nesse dia não vejas as lágrimas que caem pelo meu rosto, a emoção sentida dentro do peito, contida pelo receio de te demonstrar demasiado, de te ver sair depois de todo o meu exagero, de não te ver regressar.
Talvez um dia me digas porque é que o amor nos torna tão fisicamente fracos.
Quando os nossos corpos se juntam, eu tento sempre fundir-me em ti, separar o físico do espiritual, juntar aquelas pequenas peças que fazem de nós o que somos, separar de nós tudo o que está a mais, sem usar palavras, sem usar gestos, apenas com emoções.
Quero que me olhes e te questiones porque te abraço assim tão fortemente sem usar os meus braços, que me digas que me amas sem usares as palavras, que te dispas sem tirares as tuas roupas, esse pequeno assessório que usas para cobrir o teu corpo, esse tronco despido sempre perante os meus olhos, esse corpo que tento cada vez mais separar do meu para juntar ao teu outro corpo.
Quero que me abraces, que me olhes nos olhos mesmo que estes estejam fechados, que me digas que sentes a minha falta, que sempre a sentiste, que as minhas palavras são alimento á tua sede de viver.
Quero-te, mas não sei como dizer-te por palavras. Quero-te mas tenho medo de te ferir ao dizer-te que querer-te é muito, é mais que todas as outras coisas, que todas as outras coisas perante o te querer não são nada. Mero vazio da alma, mero espaço em branco.
Quero que saibas, és o grande amor da minha vida...sabias?
Talvez nunca o tenhas sabido realmente.