Sabe tão bem quando sentimos que gostamos de alguém de uma forma especial.
É um sentimento que nos transforma e nos faz querer viver as coisas de forma mais intensa.
Subitamente tudo muda à nossa volta e parece que o vento sopra a nosso favor.
Aquilo que era a preto e branco ganha cor e a Primavera chega mais cedo aos nossos corações.
É bom gostar de alguém e sentir esse sentimento ser-nos retribuído da mesma forma.
Amar alguém é um estado de alma renovador e que cura muitos dos nossos males, resolve muitos dos nossos problemas.
Por mais complicado que possa ser o mundo à nossa volta, é bom saber que existe aquela pessoa que nos ampara e nos estende a mão quando precisamos. Amar é cuidar, é ter preocupação pelo outro, é desejar ao outro o mesmo que desejamos a nós mesmos.
Amar é bom.
O amor é realmente uma coisa boa que se sente e não se explica.
No fundo nunca saberei eu mesma explicar o que é o amor.
Por mais que tente, nunca encontrarei palavras que o definam.
O amor é querer estar junto, é cuidar e preservar, é estimar e amparar. O amor é ver as virtudes e os defeitos, conviver com ambos e perceber que não há ser humano algum completamente perfeito, saber viver com isso.
O amor é o que nos move a ir mais além. Quando é amor inteiro, amor saudável, aquele amor que sabemos que nos faz bem, em que encontramos a pessoa que se encaixa perfeitamente em nós, é também uma oportunidade de podermos ser nós mesmos, de descobrir coisas em nós que nem sabíamos que existiam.
Sabe tão bem saber que temos alguém para cuidar, alguém a quem podemos devolver um sorriso cúmplice.
Sabe bem amar quando somos amados da mesma forma.
Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Meditando
Por vezes, sento-me no exterior da minha casa a apreciar o luar.
Gosto de ver a luz brilhante e inventar desenhos no céu com as estrelas.
Descrevo criaturas místicas com as nuvens, ou simplesmente fecho os meus olhos e deixo-me embalar pela brisa da noite.
Nesse tempo, em que tudo e nada acontece, deixo-me simplesmente ficar fazendo tudo e nada. Fazendo nada é fazer alguma coisa. Por isso, deixo-me ficar e observo esse facto.
Depois, aproveito e penso nas minhas últimas decisões. Penso no que fiz ou poderia ter feito.
Tantas as coisas que podiamos fazer se fosse tudo diferente.
Já não sou nenhuma criança, nem adolescente, mas cometo erros.
Há erros de menor grau, outros de maior.
Alguns desses meus erros, admito, ocorrem pela minha simples ingenuidade. O meu lado adormecido.
Admito que gosto de ter um lado adormecido dentro de mim. Esse lado adormecido faz-me viver a vida sem grandes preocupações a alguns detalhes.
No entanto, deixo entrar no meu espaço todo o tipo de situações. Depois, mais tarde, observo as coisas e vejo que não foi correto.
Ultimamente foi assim. Errei. Não foi um erro grave. Foi apenas um erro ocasional, daqueles que vimos mas que não ligamos.
Podemos não ligar por não nos querermos desequilibrar com más energias, ou simplesmente para não alastrar mais a situação. Foi isso que fiz. Ignorei, deixei andar, como se diz.
Deixei andar tempo demais e acordei um pouco tarde. Depois, escuto todo o tipo de observações.
Observações da minha cabeça e observações das pessoas que estão de fora, que acabam por querer julgar a situação sem o menor conhecimento daquilo que sou. É por vezes, por deixar andar o barco, que erro. Aprendi, sentindo a brisa da noite e meditando acerca do assunto, que não se deve deixar o barco andar tempo demais. Quando não gostamos de uma situação, como foi o meu caso, devemos simplesmente travá-la, não deixar criar falsas esperanças ou dar espaço para que alguém pense que tem algum tipo de oportunidade na nossa vida. Não o fiz por já o ter feito, de certa forma. Mas depois, eis que tornou a acontecer. Foi então que decidi ignorar.
Foi então que tudo se agravou.
Por isso, e admito, se alguém aqui tem culpa, esse alguém sou eu. Sou humana. Erro mesmo sem querer. Erro sem pensar. Na verdade nem sei porque errei. Deixei o erro acontecer.
Não me posso lamentar agora, com o erro já ocorrido.
Como já disse, a ingenuidade dá lugar a todo o tipo de oportunistas. Mas agora não.
Agora meditei, refleti e decidi o que pretendo para a minha vida. Pretendo simplesmente não voltar a ser assim. Pretendo simplesmente não deixar interferir quem não pretendo. No final de contas, não pretendemos ser objeto de ninguém, ou ceder a todo o tipo de capricho. Dizer não, é muito mais do que uma palavra, uma rejeição. É uma forma de imposição. É uma forma de impor limites ao que não deveria ser trilhado sem autorização.
Gosto de ver a luz brilhante e inventar desenhos no céu com as estrelas.
Descrevo criaturas místicas com as nuvens, ou simplesmente fecho os meus olhos e deixo-me embalar pela brisa da noite.
Nesse tempo, em que tudo e nada acontece, deixo-me simplesmente ficar fazendo tudo e nada. Fazendo nada é fazer alguma coisa. Por isso, deixo-me ficar e observo esse facto.
Depois, aproveito e penso nas minhas últimas decisões. Penso no que fiz ou poderia ter feito.
Tantas as coisas que podiamos fazer se fosse tudo diferente.
Já não sou nenhuma criança, nem adolescente, mas cometo erros.
Há erros de menor grau, outros de maior.
Alguns desses meus erros, admito, ocorrem pela minha simples ingenuidade. O meu lado adormecido.
Admito que gosto de ter um lado adormecido dentro de mim. Esse lado adormecido faz-me viver a vida sem grandes preocupações a alguns detalhes.
No entanto, deixo entrar no meu espaço todo o tipo de situações. Depois, mais tarde, observo as coisas e vejo que não foi correto.
Ultimamente foi assim. Errei. Não foi um erro grave. Foi apenas um erro ocasional, daqueles que vimos mas que não ligamos.
Podemos não ligar por não nos querermos desequilibrar com más energias, ou simplesmente para não alastrar mais a situação. Foi isso que fiz. Ignorei, deixei andar, como se diz.
Deixei andar tempo demais e acordei um pouco tarde. Depois, escuto todo o tipo de observações.
Observações da minha cabeça e observações das pessoas que estão de fora, que acabam por querer julgar a situação sem o menor conhecimento daquilo que sou. É por vezes, por deixar andar o barco, que erro. Aprendi, sentindo a brisa da noite e meditando acerca do assunto, que não se deve deixar o barco andar tempo demais. Quando não gostamos de uma situação, como foi o meu caso, devemos simplesmente travá-la, não deixar criar falsas esperanças ou dar espaço para que alguém pense que tem algum tipo de oportunidade na nossa vida. Não o fiz por já o ter feito, de certa forma. Mas depois, eis que tornou a acontecer. Foi então que decidi ignorar.
Foi então que tudo se agravou.
Por isso, e admito, se alguém aqui tem culpa, esse alguém sou eu. Sou humana. Erro mesmo sem querer. Erro sem pensar. Na verdade nem sei porque errei. Deixei o erro acontecer.
Não me posso lamentar agora, com o erro já ocorrido.
Como já disse, a ingenuidade dá lugar a todo o tipo de oportunistas. Mas agora não.
Agora meditei, refleti e decidi o que pretendo para a minha vida. Pretendo simplesmente não voltar a ser assim. Pretendo simplesmente não deixar interferir quem não pretendo. No final de contas, não pretendemos ser objeto de ninguém, ou ceder a todo o tipo de capricho. Dizer não, é muito mais do que uma palavra, uma rejeição. É uma forma de imposição. É uma forma de impor limites ao que não deveria ser trilhado sem autorização.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
A stalker da minha vizinha
Quem é que nunca tem ou teve uma vizinha que é melhor fonte de informação que o telejornal da Sic?
Se ainda não têm uma, roam-se de inveja, porque como a minha, de certeza que não é.
Conheço-a desde que nasci.
Mostra-se sempre muito simpática, mas não passa de um esquema falhado de camera do Big Brother em território Algarvio.
O nome dela ( dado por mim neste espaço) é a J.
A J é uma velhota solitária que antigamente fechava a porta a tudo e a todos. Hoje, viúva e completamente sozinha, pede a tudo e a todos que lhe abram a porta...mas ninguém o faz.
Mas porque será?
Porque ninguém lhe precisa de dizer em primeira mão o que ela supostamente já sabe de antemão.
Os seus dias são passados virada para a janela, com as mãos na cortinas da cozinha, vendo todo o carro que se estaciona em frente do prédio, toda a peça de mobília que entra escadas acima, enfim, tudo da vida de toda a gente que vive no mesmo prédio.
Como já era de calcular, eu não poderia ser exceção.
Quando venho do trabalho e meto a chave na porta, eis que olho para a minha esquerda e vejo surgir aquela cabeleira cinzenta, espetada mesmo ao estilo Heavy Metal, com os seus óculos redondos e brilhantes, acompanhados da dentadura quase a saltar, com restos de folha de alface ao alcance do olhar mais miupe.
Caso tenham uma vizinha com os mesmos sintomas, cuidado, pois pode virar uma J a todo o momento!
Um certo dia, a pobre senhora deu-se ao trabalho de tocar à campainha de minha casa. Como já era de calcular, eu não lhe abri a porta.
Se eu disser que a criatura levou uma hora parada junto da porta, não estou a mentir. Mas essa hora não foi apenas passada em frente da porta. Essa hora foi passada com o ouvido encostado na porta, a baixar-se para tirar o tapete e ver por baixo da porta, mandar uns quantos traques que até eu dentro de casa os pude sentir, e tocar tanto à campainha que ia ficando surda.
Por fim desistiu. Lá colocou o dito tapete no local, deu a sua última espreitadela e foi descendo calmamente, certificando-se que a placa dentária continuava no mesmo sitio.
Em menos de dois dias, assim que me viu na rua, foi logo dizer-me que sabia que eu estava em casa.
Mais um motivo para ter virado costas e ter ido à sua vida de detetive dentro de casa. Ninguém é obrigado a abrir a porta quando não se quer.
Além do mais não pretendo abrir uma segunda vez a porta a uma mulher que, mal me mete um pé dentro de casa, este é acompanhado com o som de um peido, que vem seguido por tantos outros até se sentar no sofá.
E como se isto fosse pouco, ainda a confrontei com a situação, mas a única coisa que me soube dizer foi "Se tenho vontade lagozje".
Deduzo que a dita senhora tenha uma pontada de solidão crescente dentro de si, tão grande que já se enrola nos intestinos.
No entanto, eu não tenho escrito na testa Assistente social de lar de terceira idade. E nem pretendo. Pelo menos não para já!
Se ainda não têm uma, roam-se de inveja, porque como a minha, de certeza que não é.
Conheço-a desde que nasci.
Mostra-se sempre muito simpática, mas não passa de um esquema falhado de camera do Big Brother em território Algarvio.
O nome dela ( dado por mim neste espaço) é a J.
A J é uma velhota solitária que antigamente fechava a porta a tudo e a todos. Hoje, viúva e completamente sozinha, pede a tudo e a todos que lhe abram a porta...mas ninguém o faz.
Mas porque será?
Porque ninguém lhe precisa de dizer em primeira mão o que ela supostamente já sabe de antemão.
Os seus dias são passados virada para a janela, com as mãos na cortinas da cozinha, vendo todo o carro que se estaciona em frente do prédio, toda a peça de mobília que entra escadas acima, enfim, tudo da vida de toda a gente que vive no mesmo prédio.
Como já era de calcular, eu não poderia ser exceção.
Quando venho do trabalho e meto a chave na porta, eis que olho para a minha esquerda e vejo surgir aquela cabeleira cinzenta, espetada mesmo ao estilo Heavy Metal, com os seus óculos redondos e brilhantes, acompanhados da dentadura quase a saltar, com restos de folha de alface ao alcance do olhar mais miupe.
Caso tenham uma vizinha com os mesmos sintomas, cuidado, pois pode virar uma J a todo o momento!
Um certo dia, a pobre senhora deu-se ao trabalho de tocar à campainha de minha casa. Como já era de calcular, eu não lhe abri a porta.
Se eu disser que a criatura levou uma hora parada junto da porta, não estou a mentir. Mas essa hora não foi apenas passada em frente da porta. Essa hora foi passada com o ouvido encostado na porta, a baixar-se para tirar o tapete e ver por baixo da porta, mandar uns quantos traques que até eu dentro de casa os pude sentir, e tocar tanto à campainha que ia ficando surda.
Por fim desistiu. Lá colocou o dito tapete no local, deu a sua última espreitadela e foi descendo calmamente, certificando-se que a placa dentária continuava no mesmo sitio.
Em menos de dois dias, assim que me viu na rua, foi logo dizer-me que sabia que eu estava em casa.
Mais um motivo para ter virado costas e ter ido à sua vida de detetive dentro de casa. Ninguém é obrigado a abrir a porta quando não se quer.
Além do mais não pretendo abrir uma segunda vez a porta a uma mulher que, mal me mete um pé dentro de casa, este é acompanhado com o som de um peido, que vem seguido por tantos outros até se sentar no sofá.
E como se isto fosse pouco, ainda a confrontei com a situação, mas a única coisa que me soube dizer foi "Se tenho vontade lagozje".
Deduzo que a dita senhora tenha uma pontada de solidão crescente dentro de si, tão grande que já se enrola nos intestinos.
No entanto, eu não tenho escrito na testa Assistente social de lar de terceira idade. E nem pretendo. Pelo menos não para já!
Há uma quinta oculta dentro de mim
Cada um com o seu talento.
Uns descobrem-nos cedo demais, outros bem tarde.
O meu talento foi descoberto algures numa aula de música de 5º ano, quando a minha professora decidiu que, cada nota musical iria corresponder ao som de um animal.
Lembro-me da minha mente ganhar asas nesse preciso instante.
E o resto foi conversa...
A sala tinha as mesas em U e eu estava nervosa por chegar a minha vez de apresentar.
Os meus colegas fizeram a sua música mas, a jurar pela cara da professora, as coisas não estavam de todo apelativas.
E nisto chegou a minha vez...
Tudo começou com o cantar de um galo, que ainda hoje penso sabe-lo fazer na perfeição. Depois seguiram-se dois porcos, um cão, um gato e um sapo. Acho que ainda houve espaço para um burro, dois ratos, um cavalo e um pato.
Como podem ver, uma quinta completa.
Quando terminei, lembro-me de olhar para a minha professora e dela me dizer:
"Muito bem Tânia. Vive no campo?"
Só me lembro de sorrir completamente tímida e de dizer: "Obrigada. Não, vivo na cidade".
Não precisamos viver no campo para descobrir que há uma galinha dentro de cada um de nós.
O grande problema é que eu era mais do que bipolar. Dentro de mim haviam várias vozes animalescas a lutar pelo seu lugar ao sol.
A professora voltou a pedir-me para imitar mais animais. Inclusive me chamou ao centro da sala para que eu mostrasse a toda a turma como era imitar um porco, relinchar como um cavalo...ou imitar uma galinha. Toda a turma se ria e eu morria de vergonha.
Nos dias de hoje farto-me de rir.
Quem me dera ter novamente a oportunidade de apresentar uma música assim como aquela nos dias de hoje. Penso que a originalidade me superaria aos pontos.
Uns descobrem-nos cedo demais, outros bem tarde.
O meu talento foi descoberto algures numa aula de música de 5º ano, quando a minha professora decidiu que, cada nota musical iria corresponder ao som de um animal.
Lembro-me da minha mente ganhar asas nesse preciso instante.
E o resto foi conversa...
A sala tinha as mesas em U e eu estava nervosa por chegar a minha vez de apresentar.
Os meus colegas fizeram a sua música mas, a jurar pela cara da professora, as coisas não estavam de todo apelativas.
E nisto chegou a minha vez...
Tudo começou com o cantar de um galo, que ainda hoje penso sabe-lo fazer na perfeição. Depois seguiram-se dois porcos, um cão, um gato e um sapo. Acho que ainda houve espaço para um burro, dois ratos, um cavalo e um pato.
Como podem ver, uma quinta completa.
Quando terminei, lembro-me de olhar para a minha professora e dela me dizer:
"Muito bem Tânia. Vive no campo?"
Só me lembro de sorrir completamente tímida e de dizer: "Obrigada. Não, vivo na cidade".
Não precisamos viver no campo para descobrir que há uma galinha dentro de cada um de nós.
O grande problema é que eu era mais do que bipolar. Dentro de mim haviam várias vozes animalescas a lutar pelo seu lugar ao sol.
A professora voltou a pedir-me para imitar mais animais. Inclusive me chamou ao centro da sala para que eu mostrasse a toda a turma como era imitar um porco, relinchar como um cavalo...ou imitar uma galinha. Toda a turma se ria e eu morria de vergonha.
Nos dias de hoje farto-me de rir.
Quem me dera ter novamente a oportunidade de apresentar uma música assim como aquela nos dias de hoje. Penso que a originalidade me superaria aos pontos.
Aquele fatídico dia em que fui confundida com a namorada de um larilas qualquer
Ora cá vai!
Certamente já vos aconteceu em algum momento da vossa vida serem confundidos na rua por se dizer que são muito parecidos com a fronha de A ou B, certo?
Pois comigo também já aconteceu.
Gosto sempre de me lembrar daquele dia, quando eu ainda andava no ciclo, e saía da escola para comprar algo melhor para comer do que a comida da cantina. Havia um supermercado mesmo ali perto e por isso decidi ir com duas amigas minhas.
Compramos o nosso almoço e resolvemos ficar sentadas no parapeito do supermercado a comer.
Foi então que vejo uma senhora, certamente na casa dos 50, com um monte de sacos de compras, óculos de garrafão e um enorme sorriso na cara. Ao seu lado, estava o Zé. Sim, ainda me lembro que era o Zé, porque foi assim que a dita senhora o tratou, logo assim que nos vimos.
Olha Zé! É a namorada do nosso Carlinhos!
Ok! Eu juro que não sei ainda hoje quem é o Carlinhos. Também não vou escrever uma carta a uma dessas cartomantes ou a programas televisivos para saber quem era o Carlinhos. O que sei até ao momento, é que o suposto Carlinhos era filho daquela senhora, que estudava na mesma escola que eu, e que devia de ser um encalhado como nunca vi outro, a julgar pela fotografia que a senhora me mostrou dele.
"Ai Zé, olha lá que linda é a namorada do nosso Carlinhos! Ai filha, escolheste tão bem o teu namorado. Ele é tão bom rapaz e vai fazer-te muito feliz.
Nós temos montes de terras e casas espalhadas de norte a sul e tu vais adorar"
Eu só olhava para as minhas amigas, que se riam sem conseguir disfarçar. Aquilo estava a ser irónico e eu por mais que tivesse tentado dizer à senhora que nunca vi tal Carlinhos, foi uma missão impossível. Ainda me mostrou uma fotografia da pobre criatura, com um sorriso com aparelho, cabelo semi-ruivo completamente despenteado, com aquele ar de quem tinha acabado de acordar e tirado aquela foto e, para colocar a cereja no topo do bolo, um par de óculos que garrafão gigantes e com as lentes amarelas, camisa aos quadrados e ar de cientista chanfrado. Medo! Tive muito medo!
A minha querida suposta sogra (lá nos mais deleitados sonhos da senhora) foi tão querida, ao ponto de tirar de um dos seus sacos de compras, uma embalagem de Ferrero Rocher. Disse que era a primeira prenda dela para mim! Aceitei e agradeci, com o sorriso mais natural que conseguir, despedi-me mais as minhas amigas, que iam rindo entre elas a potes, e fomos para a escola.
Já na entrada da escola, assim que ponho um pé no recinto escolar, só escuto um carro a buzinar, as minhas amigas a rir de novo e aquela vozinha lá do fundo que gritava "Então princesa, vais estar com o teu Carlinhos?"
Olhei para trás, acenei para ver se me via livre da madame "El ócle alla Garrafón", e nisto vejo um calhambeque branco, já nem devia ter suspensões ou a revisão em dia, e a dita senhora completamente desesperada por chamar a atenção.
"Olha querida, agente não tem só este carro. Temos muitos outros e muitas terras!" Uau que máximo! Corri para dentro da escola e levei o dia a ser chamada de amada do Carlinhos!
Ainda hoje me pergunto se aquele incidente foi confusão, ou se o Carlinhos viu a minha foto e a foi mostrar à mãe dizendo que tinha desencalhado.
Lógico que aquele alarido todo era pura e simplesmente uma triste chamada de atenção. Eu acho que a madame "super gafas" estava completamente desesperada por arranjar um parzinho romântico para o "Oclenstein" do filho dela e quem mais se não eu? Claro, como não podia deixar de ser!
E já agora, para quem não sabe, gafas quer dizer óculos em espanhól. Embora eu hoje ache que aquelas gafas eram o projeto do que hoje são os óculos 3D. Mas não passa de uma teoria sem comprovativo.
Certamente já vos aconteceu em algum momento da vossa vida serem confundidos na rua por se dizer que são muito parecidos com a fronha de A ou B, certo?
Pois comigo também já aconteceu.
Gosto sempre de me lembrar daquele dia, quando eu ainda andava no ciclo, e saía da escola para comprar algo melhor para comer do que a comida da cantina. Havia um supermercado mesmo ali perto e por isso decidi ir com duas amigas minhas.
Compramos o nosso almoço e resolvemos ficar sentadas no parapeito do supermercado a comer.
Foi então que vejo uma senhora, certamente na casa dos 50, com um monte de sacos de compras, óculos de garrafão e um enorme sorriso na cara. Ao seu lado, estava o Zé. Sim, ainda me lembro que era o Zé, porque foi assim que a dita senhora o tratou, logo assim que nos vimos.
Olha Zé! É a namorada do nosso Carlinhos!
Ok! Eu juro que não sei ainda hoje quem é o Carlinhos. Também não vou escrever uma carta a uma dessas cartomantes ou a programas televisivos para saber quem era o Carlinhos. O que sei até ao momento, é que o suposto Carlinhos era filho daquela senhora, que estudava na mesma escola que eu, e que devia de ser um encalhado como nunca vi outro, a julgar pela fotografia que a senhora me mostrou dele.
"Ai Zé, olha lá que linda é a namorada do nosso Carlinhos! Ai filha, escolheste tão bem o teu namorado. Ele é tão bom rapaz e vai fazer-te muito feliz.
Nós temos montes de terras e casas espalhadas de norte a sul e tu vais adorar"
Eu só olhava para as minhas amigas, que se riam sem conseguir disfarçar. Aquilo estava a ser irónico e eu por mais que tivesse tentado dizer à senhora que nunca vi tal Carlinhos, foi uma missão impossível. Ainda me mostrou uma fotografia da pobre criatura, com um sorriso com aparelho, cabelo semi-ruivo completamente despenteado, com aquele ar de quem tinha acabado de acordar e tirado aquela foto e, para colocar a cereja no topo do bolo, um par de óculos que garrafão gigantes e com as lentes amarelas, camisa aos quadrados e ar de cientista chanfrado. Medo! Tive muito medo!
A minha querida suposta sogra (lá nos mais deleitados sonhos da senhora) foi tão querida, ao ponto de tirar de um dos seus sacos de compras, uma embalagem de Ferrero Rocher. Disse que era a primeira prenda dela para mim! Aceitei e agradeci, com o sorriso mais natural que conseguir, despedi-me mais as minhas amigas, que iam rindo entre elas a potes, e fomos para a escola.
Já na entrada da escola, assim que ponho um pé no recinto escolar, só escuto um carro a buzinar, as minhas amigas a rir de novo e aquela vozinha lá do fundo que gritava "Então princesa, vais estar com o teu Carlinhos?"
Olhei para trás, acenei para ver se me via livre da madame "El ócle alla Garrafón", e nisto vejo um calhambeque branco, já nem devia ter suspensões ou a revisão em dia, e a dita senhora completamente desesperada por chamar a atenção.
"Olha querida, agente não tem só este carro. Temos muitos outros e muitas terras!" Uau que máximo! Corri para dentro da escola e levei o dia a ser chamada de amada do Carlinhos!
Ainda hoje me pergunto se aquele incidente foi confusão, ou se o Carlinhos viu a minha foto e a foi mostrar à mãe dizendo que tinha desencalhado.
Lógico que aquele alarido todo era pura e simplesmente uma triste chamada de atenção. Eu acho que a madame "super gafas" estava completamente desesperada por arranjar um parzinho romântico para o "Oclenstein" do filho dela e quem mais se não eu? Claro, como não podia deixar de ser!
E já agora, para quem não sabe, gafas quer dizer óculos em espanhól. Embora eu hoje ache que aquelas gafas eram o projeto do que hoje são os óculos 3D. Mas não passa de uma teoria sem comprovativo.
terça-feira, 29 de março de 2016
Carta de uma mãe de olhão
Atão filhe, qué qu'andas fazende?
Já fostes no bálhe?
Ontém fu com tê pai, majele na tava lá munte bem disposte, atão virê as costas e dei de frosques.
Aqui em Olhão tem tade munte mal tempe. Na semana passada fez tante vente qu'a galinha da Manela pôs o mêm ove três vezes.
Apanhê cá um suste quande vi aquile, que quá que ia cainde das escades abáche.
No funde, até ache qu'u tê pai tamém viu o mêm, majele na disse a porra!
Iste anda tude perdide filhe!
Trabalhe fêta maluca e na ganhe quase nada. Na sê aonde vames assim com este governe.
Ache que até a Floripes viu isse tude antes dagente todes, e por isse é que deu de frosques lá pelo alte mar! Majatão...iste sô ê pensande alte!
Atão e tu moce marafade? Qu'e qu'andas fazende?
óvi dizer que andas com uma moça aí da zona de Quarteira, majiss é mêm verdad?
Tu vê lá com quem te metes, se nã tê pai ainda fica marafade!
Boum, cá me despece, agora que fá um bocadinhe de calôr, vô aprovetar e comprar um pêxe pó tê pai ali no mercade, na vá ele dizer que só vive na rua pa óvir o diz que diss...ó que só quer é balhe e música fêrantã!
Porta-te com Juízzz!
Da tu mãe
Jacinta
Já fostes no bálhe?
Ontém fu com tê pai, majele na tava lá munte bem disposte, atão virê as costas e dei de frosques.
Aqui em Olhão tem tade munte mal tempe. Na semana passada fez tante vente qu'a galinha da Manela pôs o mêm ove três vezes.
Apanhê cá um suste quande vi aquile, que quá que ia cainde das escades abáche.
No funde, até ache qu'u tê pai tamém viu o mêm, majele na disse a porra!
Iste anda tude perdide filhe!
Trabalhe fêta maluca e na ganhe quase nada. Na sê aonde vames assim com este governe.
Ache que até a Floripes viu isse tude antes dagente todes, e por isse é que deu de frosques lá pelo alte mar! Majatão...iste sô ê pensande alte!
Atão e tu moce marafade? Qu'e qu'andas fazende?
óvi dizer que andas com uma moça aí da zona de Quarteira, majiss é mêm verdad?
Tu vê lá com quem te metes, se nã tê pai ainda fica marafade!
Boum, cá me despece, agora que fá um bocadinhe de calôr, vô aprovetar e comprar um pêxe pó tê pai ali no mercade, na vá ele dizer que só vive na rua pa óvir o diz que diss...ó que só quer é balhe e música fêrantã!
Porta-te com Juízzz!
Da tu mãe
Jacinta
Como manter uma conversa simpática com as testemunhas de Jeová
Caros leitores;
Se ainda não tiveram a oportunidade de se cruzar com as famosas testemunhas de Jeová, fiquem sabendo que elas andam aí.
Por isso, façam um bom rastreio à visão, comprem uns bons óculos, porque nem sempre essas simpáticas criaturas são detetáveis a olho nu.
Por norma, tenho um íman para atrair sempre aquilo que não pretendo, e as testemunhas de Jeová parecem conseguir detetar esse íman a metros de distância, pelo que me aparecem sempre com um sorriso de orelha a orelha com aquele papelinho amarelo ou azul com os ensinamentos da Bíblia.
Antigamente não se via muita publicidade religiosa com tanta frequência como hoje, pelo que já me acostumei e aprendi a ver de longe tais criaturas amorosas só pela indumentária que usam.
Estas "almas andantes da salvação do Reino de Deus" costumam andar de saia pelos joelhos, em tons de castanho ou preto, casacos pela cintura ou abaixo dela, pastas e malas de mão carregadas de revistas com os dizeres do Senhor e adoram colocar-se naqueles locais de maior circulação, para poderem abordar o maior número de pessoas possível. Antigamente faziam-no de forma discreta. Nos dias de hoje trazem um trólei repleto de livros e revistas, panfletos e todo o tipo de coisas para salvar-nos a todos das garras do Diabo.
Nunca fui uma pessoa que fosse criada no meio do fanatismo religioso, por isso respeito toda e qualquer crença religiosa. No entanto acho de uma extrema falta de respeito esta publicidade feita em torno da Bíblia e seus dizeres, além do apelo para frequentar os famosos salões, que têm ar de tudo, menos de cabeleireiro.
No outro dia, enquanto fazia voluntariado numa qualquer rua de Tavira, fui abordada por duas simpáticas senhoras, que amavelmente começaram a interromper o meu louvado trabalho, para me apelar a ir a um desses Salões e ler sobre a palavra do Senhor.
Não sei se estava inspirada, mas a verdade é que deu mais efeito do que eu esperava. Por isso, daqui para a frente, penso que irem adotar essa converseta para diálogos futuros.
Eis o que aconteceu:
TJ: Boa tarde menina, gosta de ler?
Eu: Boa tarde, gosto sim!
TJ: Então tenho uma oferta para si (panfleto das testemunhas de Jeová)
Eu: Obrigada, é para mim? Não é costume me darem nada! ( ironicamente falando)
TJ: Sabe quem criou o mundo?
Eu: Não sei minha senhora, nessa altura eu ainda não tinha nascido.
TJ: Foi Jeová querida! Não acredita em Jeová?
Eu: Pois ele nunca se apresentou a mim e eu não costumo dar confiança a pessoas desconhecidas.
TJ: Está a dizer-me que não acredita??? (Indignação extrema)
Eu: Lógico! Se Jeová não me apareceu diante dos olhos, quer que acredite no que não vejo?
TJ: Jeová é quem irá ressuscitar todos os mortos e pessoas queridas que perdemos. Acredita que os mortos irão voltar à vida?
Eu: Pois nessa altura também já cá não estarei para ver...
TJ: Eu vou ser mais específica consigo! Afinal...quem construiu tudo isto ao seu redor? (Abre os braços apontado para todos os prédios e casas em redor)
Eu: Oh minha senhora, essa sei responder! Foram os pedreiros, ora essa!!! Eles e os arquitetos fizeram um ótimo trabalho não acha?
Dito isto, viraram as costas e foram andando.
Não sei porquê, mas naquele momento deu-me uma pontada de tristeza saber que as ditas senhoras ali presentes não quiseram continuar a nossa conversa tão religiosa. E logo agora...que aquele dedinho de diálogo estava a começar a mudar os meus ideais religiosos. Estive quase a pensar em me converter e tudo...mas não tive oportunidade! Não faz mal...da próxima que me perguntem se gosto de ler, irei certamente referir as obras das 50 sombras de grey ou algo do fórum erótico. Nunca se sabe o que poderei descobrir sobre Jeová...afinal de contas, continuo sem o ver e nem o que faz da vida. Se foi o criador da terra, a esta hora deve ter cometido o suicídio numa rua qualquer de crime ao ler os cabeçalhos dos jornais e ter visto o telejornal da TVI.
Ou então frequenta uma cartomante ou espírita para poder ter a inspiração necessária para uma segunda criação, onde, certamente, poderá concluir com êxito um projeto melhor do que aquele que somos.
Se ainda não tiveram a oportunidade de se cruzar com as famosas testemunhas de Jeová, fiquem sabendo que elas andam aí.
Por isso, façam um bom rastreio à visão, comprem uns bons óculos, porque nem sempre essas simpáticas criaturas são detetáveis a olho nu.
Por norma, tenho um íman para atrair sempre aquilo que não pretendo, e as testemunhas de Jeová parecem conseguir detetar esse íman a metros de distância, pelo que me aparecem sempre com um sorriso de orelha a orelha com aquele papelinho amarelo ou azul com os ensinamentos da Bíblia.
Antigamente não se via muita publicidade religiosa com tanta frequência como hoje, pelo que já me acostumei e aprendi a ver de longe tais criaturas amorosas só pela indumentária que usam.
Estas "almas andantes da salvação do Reino de Deus" costumam andar de saia pelos joelhos, em tons de castanho ou preto, casacos pela cintura ou abaixo dela, pastas e malas de mão carregadas de revistas com os dizeres do Senhor e adoram colocar-se naqueles locais de maior circulação, para poderem abordar o maior número de pessoas possível. Antigamente faziam-no de forma discreta. Nos dias de hoje trazem um trólei repleto de livros e revistas, panfletos e todo o tipo de coisas para salvar-nos a todos das garras do Diabo.
Nunca fui uma pessoa que fosse criada no meio do fanatismo religioso, por isso respeito toda e qualquer crença religiosa. No entanto acho de uma extrema falta de respeito esta publicidade feita em torno da Bíblia e seus dizeres, além do apelo para frequentar os famosos salões, que têm ar de tudo, menos de cabeleireiro.
No outro dia, enquanto fazia voluntariado numa qualquer rua de Tavira, fui abordada por duas simpáticas senhoras, que amavelmente começaram a interromper o meu louvado trabalho, para me apelar a ir a um desses Salões e ler sobre a palavra do Senhor.
Não sei se estava inspirada, mas a verdade é que deu mais efeito do que eu esperava. Por isso, daqui para a frente, penso que irem adotar essa converseta para diálogos futuros.
Eis o que aconteceu:
TJ: Boa tarde menina, gosta de ler?
Eu: Boa tarde, gosto sim!
TJ: Então tenho uma oferta para si (panfleto das testemunhas de Jeová)
Eu: Obrigada, é para mim? Não é costume me darem nada! ( ironicamente falando)
TJ: Sabe quem criou o mundo?
Eu: Não sei minha senhora, nessa altura eu ainda não tinha nascido.
TJ: Foi Jeová querida! Não acredita em Jeová?
Eu: Pois ele nunca se apresentou a mim e eu não costumo dar confiança a pessoas desconhecidas.
TJ: Está a dizer-me que não acredita??? (Indignação extrema)
Eu: Lógico! Se Jeová não me apareceu diante dos olhos, quer que acredite no que não vejo?
TJ: Jeová é quem irá ressuscitar todos os mortos e pessoas queridas que perdemos. Acredita que os mortos irão voltar à vida?
Eu: Pois nessa altura também já cá não estarei para ver...
TJ: Eu vou ser mais específica consigo! Afinal...quem construiu tudo isto ao seu redor? (Abre os braços apontado para todos os prédios e casas em redor)
Eu: Oh minha senhora, essa sei responder! Foram os pedreiros, ora essa!!! Eles e os arquitetos fizeram um ótimo trabalho não acha?
Dito isto, viraram as costas e foram andando.
Não sei porquê, mas naquele momento deu-me uma pontada de tristeza saber que as ditas senhoras ali presentes não quiseram continuar a nossa conversa tão religiosa. E logo agora...que aquele dedinho de diálogo estava a começar a mudar os meus ideais religiosos. Estive quase a pensar em me converter e tudo...mas não tive oportunidade! Não faz mal...da próxima que me perguntem se gosto de ler, irei certamente referir as obras das 50 sombras de grey ou algo do fórum erótico. Nunca se sabe o que poderei descobrir sobre Jeová...afinal de contas, continuo sem o ver e nem o que faz da vida. Se foi o criador da terra, a esta hora deve ter cometido o suicídio numa rua qualquer de crime ao ler os cabeçalhos dos jornais e ter visto o telejornal da TVI.
Ou então frequenta uma cartomante ou espírita para poder ter a inspiração necessária para uma segunda criação, onde, certamente, poderá concluir com êxito um projeto melhor do que aquele que somos.
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