Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Regresso ás aulas, sintomas de uma aluna ainda em adaptação aos horários

Ainda me lembro da primeira vez que meti os pés numa escola. Tinha eu seis anos, estava super nervosa porque não sabia o que era isso de escola, nem o que seria. Tive de começar a levantar-me cedo e de transformar a minha vida numa rotina estonteante entre aulas e casa, trabalhos e até explicações,embora nunca me tivesse dado muito bem com explicações, acabando por preferir estudar sozinha e diga-se, tenho mil vezes mais proveito.

A grande desvantagem de ir para a explicação, além de doer na carteira, é que não somos os únicos que lá estamos com dúvidas, pelo que temos de esperar pela nossa vez, perdendo horas de estudo e consequentemente perdemos também a oportunidade de tirar uma positiva mais pomposa.

Desde a primeira vez que pisei uma escola até aos dias de hoje, já lá vão quase vinte anos e já deveria de estar acostumada aos horários e respetivas alterações dos mesmos.
Embora este ano seja muito mais soft, para conclusão de curso, nem por isso tenho de deixar de me levantar cedo e fazer precisamente a mesma coisa que se resume em ir para a Universidade e ter apenas três Unidades Curriculares, ou cadeiras (disciplinas para quem não souber). Embora na prática isto seja tudo muito bonito para quem ler, verdade seja dita, o período de adaptação custa sempre um bocado. Aluno em tempo de férias deita-se sempre das quatro da manhã para cima e agora...tendo eu de me levantar tão cedo, é mais do que normal que o corpo dê sinal. Não é que me esteja a queixar, até porque só frequento a Universidade porque quero, mas dado que quero tenho todo o direito em dizer que me sinto totalmente estafada, consumida pelas horas de estudo e ter de consolidar tudo isso com as tarefas domésticas, porque ter uma casa a cargo é puxado e isso já vós deveis de saber todos.(A menos que não faceis  nada em casa)
Ora bem...vamos lá fazer uma listinha de coisas que um estudante Universitário tem que passar até que se sinta completamente em forma:
  • Levantar muito cedo para ter tempo de tomar um banho e fazer o pequeno-almoço e por vezes o almoço porque nem sempre se pode gastar uma dinheirama para comer na Universidade, não estamos em tempo disso.
  • Sair de casa a pé, apanhar o autocarro já quase a dormir em pé com o frio que já se faz sentir, já para não falar da chuva que já chegou
  • Chegar á Universidade e ir a correr para a sala de aula praticamente para não se chegar atrasado. Agora temos mais horas de aula, o que nos deixa realmente mais motivados.
  • Ouvir os professores a falar quase sempre sem parar, perder metade da matéria pelo caminho com o sono, escrever até partir os pulsos e meter calos nos dedos, ouvir mais um bocado o professor/a e rezar um Pai Nosso para que a aula acabe depressa.
  • Sair de uma aula, quase não ter tempo de respirar e ir para outra...já toneladas de sono em cima.
  • Sair das aulas e claro, ir a pé (eu sei que ainda não vos tinha contado esta parte e vão achar que sou doida, mas não há dinheiro para carregar um passe de 24 euros só para duas semanas, por isso é ir e vir das Gambelas a pé para Faro...)
  • Chegar a casa, arrumar a casa, dar de comer aos animas, respirar cinco minutos e fazer o jantar enquanto se aspira a sala, se tira a roupa da corda ou se atende uma chamada telefónica do vizinho, do pai e do espírito santo.
  • Fazer os trabalhos de casa, ler toneladas de PDF's e ficar atenta ao jantar para não queimar...queimar os neurónios com os trabalhos, fazer trabalhos de pesquisa...ok acho que chega.
  • Jantar!!!! Sim, a melhor parte do dia...ou diria já noite?
  • Arrumar a cozinha, lavar a loiça, meter tudo em ordem e preparar a roupa e a mochila para o dia seguinte. Sim...eu preparo tudo de antecedência porque gosto de fazer ronha de 5 minutos pela manhã, acho que também tenho direito.
  • Meter o despertador, beber um chá e por sim...DORMIR!
Nota: As aulas são de uma semana...só posso dizer que tenho mais tempo para relaxar aos fins de semana, por isso imaginem como é, especialmente a parte do ir e vir a pé.

Agora vós: Tenham ou não tenham aulas, como é a vossa rotina depois das férias? Têm dificuldades a levantar-se ou até se seguram? Comentai que é tão mau pensar que faço estas loucuras sozinha...

sábado, 22 de setembro de 2012

Casa dos Segredos ou casa dos Degredos?

Ok, eu não gosto mesmo nada de utilizar esta palavra (degredo) simplesmente porque sim, porque me faz lembrar de coisas menos católicas e não...eu não sou católica, mas acho que perceberam o que pretendi dizer cof cof ^^
Ora bem, vamos lá a coisas sérias (mais ou menos).
O que Acham da casa dos Segredos 3? Gostam? detestam ou assim assim? Passa-vos ao lado?
Digam honestamente o que pensam, mas não me digam que perdem horas a ver o que se passa dentro da casa.
Digo isto porque, para mim, a Casa dos Segredos não passa de:
  • Um programa para Putas e Cabrões dos mais alto gabarito onde o único segredo além do segredo que escondem, é irmos revelando aos poucos de que forma demonstram o baixo nível que têm.
  • Um programa que promove a peixeirada gratuita diretamente para os ecrãs das nossas casas para ouvir a peixeira a gritar que o peixe é mais barato que 5 euros e o freguês a dizer que não é fresco.
  • Um programa televisivo da TVI como forma de superar as audiências da Telenovela Gabriela que tem batido records ^^
  • A melhor forma de revelares o teu baixo nível e ganhares fama pelos piores motivos.
  • Uma forma simples de se ser peixeiro e famoso por se ser peixeiro.
  • Um ótimo programa para me dar cabo dos nervos (pelo menos a mim sim)
  • O programa preferido da Fanny...a maior peixeira/engatatona da Casa dos Segredos 2.
  • Um meio prático de revelares pormenores sórdidos da tua vida, toda a gente os ouvir e ficares altamente conhecido a fundo...nada mau!
  • Um meio de ganhares aos mil euros e de perderes aos dois mil euros.
  • A melhor forma de se poder ver filmes porno sem ser pela internet.
Vejamos por outras palavras:
A Casa dos Segredos não passa de um programa para pessoal maluco e com as hormonas aos saltos que gostam de aventura claro...mas de torná-las públicas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Alguém se lembra disto? Parte 2

 
Quando eu era criança, lembro-me que era uma colecionadora dos brindes da matutano. Não tanto pelo prazer de comer as batatinhas fritas, mas mais pelo que lá saía, que na altura tinha o seu "Q" de original. Nessa altura recordo-me que saíam uns brindes bastante apelativos aos meus olhos, que tinham o nome de Pega-Monstros. Ora...a esta hora estão vocês a perguntar, para quem não se lembra.
Afinal de contas o que é um Pega-Monstro?
Um Pega-Monstro é simplesmente um objeto de borracha pegajosa com o formato de um monstro, passando pela caricatura de pés, mãos, ratos, morcegos ou outras criaturas e o objetivo dele é precisamente atirar e pegar. Lembro-me muito bem, como se fosse hoje, que os ia colecionando e os conservava dentro da sua embalagem, de forma a que não ficassem feios e sem graça alguma, mas, no entanto, tinha um como estimação e que se tornou a minha mascote, que ia comigo para todo o lado e que por várias vezes temi que o tivesse perdido. Era vermelho e tinha o formato de um boneco, com pernas e braços, super cómico. Lógico que a idade tem destas coisas e eu como criança normal que fui, tinha os meus brinquedos e paixões, como todas as crianças, mas aquele pega-monstro era especial para mim, que até me acompanhava nas idas ao doutor...para levar a vacina, para a escola dentro do meu estiojo, dormia na mesa da minha cabeceira e andava com ele de um lado para o outro, até no banho. Era tudo tão cor de rosa entre mim e o meu adorado pega-monstro até que um dia...pura e simplesmente deixei de o ver. Não sei se desapareceu, se foi a minha mãe que começou a não achar graça, pensando que se havia convertido num bad romance alla Lady Gaga. O facto é que não pensei mais nele, pois também havia crescido um bocadinho e acabei por encetar todos os pega-monstros que tinha e atirá-los ao teto da sala, o que fez com que o mesmo parecesse um arco-íris de tão colorido que estava e que alguns caíssem na cabeça da minha mãe quando chegava do trabalho. Uma linda história de encantar vocês não acham? Lógico que depois foram feitas mil e uma versões destes objetos horrendos e que se tornaram tão populares, mas acreditem...nada como os da matutano.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Tu sabes que sim

Pensei.
Pensei muito durante bastante tempo.
Dormi durante anos e despertei já um pouco tarde. Talvez tarde demais, quem sabe.
Deixei-te magoares o meu peito sofrido. Deixei que mais uma vez me enganasses com as tuas suaves mentiras.
Disseste que te mentia, que te enganava.
Percebe meu querido, ninguém é enganado quando se percebe quem mente. Só nos podemos sentir enganados quando percebemos que fomos apanhados um dia, quando nos damos conta de que estamos enliados numa teia sem saída.
Eras demasiado fútil, demasiado imaturo para tolerar-me. Decidi sair, apanhar ar.
Não sabia para onde ia nem quando iria regressar. A sede de sair simplesmente apanhou-me de surpresa, a mim e a todos. Mesmo assim...
Peguei na mala, meti algumas roupas e fugi do mundo que conheço. Dizem que o longe nos apaixona porque o que está perto só nos sufoca. Por isso mesmo fui. Pouca roupa, algum dinheiro e um pouco de coragem. Tu sabes, eu não sou mulher de esperar por ti, pelas tuas mudanças repentinas de humor ou pelo teu arrependimento.
Simplesmente me fui na esperança de quando voltar já não te encontrar.
Fiquei num lugar bem longe daqui. Acredita, nem decorei o nome. Preferi pensar que estava perdida e assim busquei um lugar onde instalar as minhas coisas.
Fiquei num quarto de residencial bastante simpático e a um preço barato. No interior havia uma enorme janela para o exterior onde se avistavam o mar e a cidade em disputa constante.
Deixei a bagagem ficar e saí um pouco até lá fora.
Já era de noite quando me encontrava na rua. Para minha surpresa tinha refrescado muito.
Fui até um bar próximo, com ambiente acolhedor, boa música e pouca gente. Parece que se consegue perceber quem é novo na cidade. As pessoas olhavam-me curiosas. Não é comum ver-se uma mulher vaguear sozinha por ali, pensei eu. Nem por isso me ralei com esse fator de menos importância.
Decidi pedir um martini. Bebi-o rapidamente, preferindo ir para o exterior. Embora estivesse fresco, eu gostava de ver o mar.
Parei mesmo em frente ao mar, perto de uns postes de luz, de frente a um café cujo nome desconheço. Não me preocupei com as horas nem com o que iria fazer a seguir.
Foi então que ele chegou. Digo...um estranho. Um estranho perguntou-me o que fazia por ali sozinha àquelas horas da noite. Ficamos a conversar.
Descobri que é escritor, que aprecia poesia e gosta de ouvir baladas. Não teve filhos, mas gostaria de um dia ser pai.
Encontramos-nos algumas vezes mais e trocamos o contato telefónico para quando eu decidisse voltar.
Não me perguntes quanto tempo lá fiquei, naquela cidade estranha e sem nome.
Escrevo para dizer-te que me casei.
Casei-me sabendo que, com ele do meu lado, eu poderia ser feliz. É bom termos um apoio do nosso lado, alguém que suporte as nossas fraquezas e não tenha medo de ir abaixo com elas.
Pela primeira vez ganhei coragem e regressei. Não vim para te ver. Apenas decidi que queria que soubesses como estou, tal como havias um dia referido que irias gostar de saber.
Digo-te, estou feliz, mas não o digo para iludir-te ou tentar enganar-te. Não preciso de o fazer. Estou feliz porque consegui apagar a tua lembrança, construir novos planos, ter outras ideias.
Estou feliz porque sei que agora poderás respirar sem te dares conta que existo.
Sou feliz porque parei de pensar na tua existência, de me preocupar com as tuas fraquezas, de parar de querer dar-te a mão quando sempre me dizias que conseguias levantar-te sozinho.
Em certos momentos da vida, todos nós precisamos de uma mão ao nosso lado, de um rosto familiar, de um sorriso ou de um gesto de força. Não nascemos super homens nem super mulheres. Não aprendemos tudo sozinhos nem iremos conseguir fazer tudo sozinhos um dia.

Feito isto deixei a carta no ponto de correio. Segui para o carro. O sol entrava radiante pela janela. Meti os óculos, não queria que o sol me toldasse a visão. ia embora. Estava na hora de partir para algum lugar.

domingo, 19 de agosto de 2012

Ser chata é bom e faz bem...mas a quê?

9 da manhã saio da cama. Estava cheia de sono, mas mesmo assim decido sair.
Visto-me e fico a pensar...para onde ir?
Não interessa, acabo por ficar por casa.

Sem vontade alguma tomo banho e vou comer.
Que preguiça que hoje tenho e tanta coisa para fazer...loiça para lavar, roupa para arrumar...
Ok...no stress. I'm a good girl.

Depois de tudo feito ás cinco pedradas ( não mal feito, simplesmente feito de mau humor) decido sair e apanhar o meu tão desejado ar.
Ao virar da esquina cruzo-me com aquele fantoche de há dois anos...com aquele ar de que todos lhe devem e ninguém lhe paga. Na verdade não me admiraria que lhe devessem, com esta crise, até dói!
Fica-me a olhar com aquela cara de animal feroz da qual não temo. Abro a minha enorme boca de leoa e mando um enorme latido que o espanta para bem longe como um coelho pequeno com medo do lobo mau.

Ser má faz bem...mas a quê?
Depois decido parar para ir comprar um gelado. Estamos no tempo deles, mas que comer? cornoto...magnum..ok não levo nenhum, custa muito decidir e já não há paciência, pelo menos para mim.
Volto para casa depois de tantas voltas ter dado na rua e de ver tudo sempre na mesma, ou pior.
Sabe bem refunfar-me no sofá, ligar a tv e fazer zapping até altas horas...mas que ver? Ok, não me apetece, melhor mesmo é ir dormir. E ai que quem se atrever a latir nos meus sonhos.

sábado, 18 de agosto de 2012

Coisas da minha infância Part.1


Todos nós guardamos boas recordações da nossa infância, umas melhores e outras piores, mas certamente algumas memórias são inesquecíveis. Para vos refrescar a memória, resolvi abrir uma rubrica no meu blog para vos fazer voltar aos bons velhos tempos em que ainda gostavam de brincar com bonecos e quais as melhores recordações desses tempos.

Alguém se lembra destes bonequitos? Eram os matutolas, aqueles bonequinhos de plástico que saíam como brinde nos pacotes de batatas fritas da Ruffles. Haviam das mais variadas cores e feitios, com os mais variados perfis. Uns mais intelectuais, outros mais ao estilo trolha, Uns polícias e outros com cara de dondocas cheias de papel...mas todos eles engraçados e divertidos. O objetivo, como é mais do que lógico, baseava-se em colecionar o maior número de matutolas possível para fazer um jogo, que se baseava pura e simplesmente em bateres com os matutolas nos matutolas do teu adversário. O jogo era feito com duas pessoas, cada uma com uma fila de matutolas á sua frente e cada um tinha que tentar disparar os matutolas ao estilo jogo do berlinde, para acertar nos matutolas do adversário. Simples e eficaz. Mais tarde chegou a haver até um estojo para se colocarem os matutolas e recordo-me perfeitamente que eu tive dois estojos, um cor de rosa e o outro verde, que foi de herança para a minha irmã (já nem sei se ela os tem atualmente) e recordo-me que mesmo tendo dois porta-tolas (nome técnico que designa estojo para colocar os matutolas) haviam tolas que tinham de ser guardados noutros locais, como nas gavetas ou na minha mala de infância, mania de quem queria crescer muito depressa.

A ideia de resolver falar deste tipo de coisa foi porque, dado que ando numa onda de limpezas e seleção de objetos pela casa, dei de caras algures numa gaveta, com dois bonecos da espécie e resolvi  guardá-los para não me esquecer de partilhar convosco estes momentos que já não voltam e que me fizeram ficar tão nostálgica...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Estrada Errada

Desta vez, não há volta a dar...
Pensei eu enquanto voltava as costas para regressar a casa de autocarro. Nunca pensei que resultássemos, mas acredita, fiquei contente quando soube que conseguíamos continuar mais um dia. Continuamos enquanto nos foi possível manter a alma iludida, mas estava cada vez mais difícil para ti manter a farça.
Quando me despedi de ti apenas te vi pela sombra. Decidi afastar-me...e essa foi a melhor coisa que fiz. Estar do teu lado não iria ajudar em nada. Arranjei força de vontade, muita, e parti.
Pedi ajuda á minha melhor amiga que veio ter ao meu encontro. Nesse dia mal tinha chovido. Era uma manhã fria de Inverno que recordo como se tivesse sido ontem.
Recordo-a porque me faz bem saber que tive coragem de partir, de te deixar na esperança de ainda veres o meu rosto esmorecido pela tua viragem de página.
Nunca me viste assim porque nunca o consenti. Tive força, muita força, mas tu nunca me viste chorar. Nunca me ouviste suplicar para que voltássemos, nem nunca me ouviste dizer ainda te amo.
Na verdade, nunca o disse depois da última vez. Nunca mais ousei dizê-lo, não porque não te amasse, mas porque sabia que, mais tarde ou mais cedo, tu irias sentir falta desse amor e eu já o haveria esgotado.
Os primeiros dias foram difíceis. A calma assustava-me. Não tinha coragem de permanecer muito tempo dentro de casa e de noite os meus olhos não sabiam o que significava a palavra sono. Vivia numa espertina constante misturada com o nervosismo de não saber como enfrentar algo que já havia começado.
Depois, lidar com o teu cinismo. Saber enfrentar-te e sorrir-te de frente. Dizer-te bom dia animadamente quando só me apetecia apunhalar-te de frente.
Foi difícil. Aos poucos fui-me dando conta de que o tempo começava a passar. Dei-me conta de que a tua decisão de deixar de encenar o amor havia sido a melhor solução para ambos.
O meses passaram...
Onde outrora havia amor, começaram a florescer os primeiros sinais de ódio.
Comecei a odiar-te com todas as minhas forças. Cada vez que te via sentia náuseas. A tua simples figura enjoava-me.
Ás vezes vinhas ter comigo, quando te sentias mais sozinho e desprezado. Não tinhas muitas pessoas com quem falar no local onde te encontravas e por isso davas o braço a torcer por tu mesmo saberes que ali toda a gente te tratava por tu.
Lamento se te deixei desapontado, mas perdi a vontade de ser digna contigo. Comecei a ver pelos teus olhos, a jogar o mesmo jogo, a ceder e a ganhar relevo a cada cartada, ganhando sempre mais força a cada ás que me saía.
Tu não valias nada, apercebi-me. Nunca valeras. Nunca estiveste á altura dos meus sentimentos nem nunca saberás dar ao valor o que é despedaçá-los.
Fica sabendo, hoje de ti não guardo nada. Esgotou-se o rio da paciência e da ilusão.
Há muito que deixei de esperar por milagres, não que me levassem até junto de ti, mas que te fizessem desaparecer diante dos meus olhos, encontrar alguém a quem dar o teu falso afeto.
Tinhas a mania que tinhas sempre razão, mas perdeste-a aos meus olhos. Fizeste bem o teu papel de vítima, soubeste ser ator. Se tivesses concorrido a um casting talvez hoje tivesses ganho um troféu.
Quando me recordo de ti não consigo ver o teu rosto. A tua silhueta é uma mancha desfocada diante dos meus olhos. Não consigo recordar a tua voz com precisão, nem os teus tiques estranhos, as tuas nuances. É como ouvir-te falar debaixo de água, percebo que falas, mas não consigo entender o que dizes.
Como é bom que as coisas tenham ocupado este lugar. Como é bom que tudo tenha sido levado pelo tempo. Hoje, lembrar-te, é apenas uma história comum. Nunca imaginei que tal me pudesse ter acontecido, mas não consigo lembrar-me exatamente do que aconteceu.
Simplesmente já foi, apanhei a estrada errada, aquela sem saída da qual tive de regressar a passos lentos.
Digo lento, porque certamente tu sabes...nada do que deve ser definitivo se faz com pressa. Isto foi uma dessas coisas definitivas, dizer-te adeus.