Bem vindos ao meu blog. Aqui escrevo o que penso, o que me apetece e o que bem entendo. Fiz-me entender? Nem por isso? É complicado exemplificar. Puxai uma cadeira. Comei pipocas e ride! Sim...riam muito porque tristezas não pagam dívidas.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Campanhas de Natal

O Natal está á porta e as campanhas de Natal ouvem-se por tudo o que é sitio.
Para a Ajuda de Berço estão neste preciso momento a fazer a campanha Arredondar nas lojas da Worten.
Por cada compra que se faça numa loja destas pode-se contribuir com mais 1 euros, 10 cêntimos, o que se quiser. Parece pouco, mas vendo bem não é. Por cada 10 cêntimos que uma pessoa dê está a dar uma ajuda enorme. O mesmo se passa no Facebook. Já sabem pessoal, não custa nada ajudar. Basta irem ao Facebook e adicionar Ajuda de Berço como amigo e por cada amigo novo que a Ajuda de Berço receba são 25 cêntimos a contar para ajudar os que mais precisam.
Embora  estas campanhas sejam muito bonitas, a verdade é que só se lembram delas no natal e isso assim não pode ser. Então um pobre só recebe um pratinho de sopa na altura de Natal? Só no Natal é que se dão conta de que as pessoas desfavorecidas precisam de comer e de se vestir, fazer a sua higiene pessoal e ter onde dormir? Quer dizer, acaba o Natal e lá vão as pessoas voltar a dormir na rua.
Eu acho isto tudo muito bonito na altura de Natal haverem as campanhas de sensibilização, mas quem precisa não precisa apenas no Natal. Vamos lá pessoal, olhar por quem precisa não é algo que roube demais o nosso tempo. Todos nós temos em casa roupa que já não usamos, sapatos que já não calçamos mas que estão em bom estado, um pretinho de sopa para oferecer. Não precisa de ser com dinheiro.
Basta que tenhamos todos vontade de ajudar os outros e verão que um sorriso, um obrigado, nos fará sentir úteis neste mundo. Ajudar o próximo faz de nós pessoas melhores, pessoas humanas. Eu já cheguei a dar dinheiro a uma senhora que tinha o filho dela muito doente de coração. Há muitas pessoas que choram com pena mas não abrem a carteira. Eu já dei dinheiro para ajudar crianças com cancro. Eu não sou rica, tenho pouco e contado para as minhas despesas mínimas, mas tenho coração, vejo a situação que o país atravessa, vejo as lágrimas nos olhos das pessoas e a fome que sentem. Para essas pessoas até um preto de sopa lhes sabe a um banquete e não é nada demais. Ajudem por favor.
Pensem que amanhã poderemos ser nós a precisar de ajuda. Todos nós temos os nossos momentos de aflição em que precisamos de uma mão amiga e é engraçado como em cada um desses momentos os amigos evaporam-se. Não sei como é que acontece, mas vão-se embora.
É muito bonito falar, mas na prática as coisas não são bem iguais.
Muitas vezes uma palavrinha amiga vale mais que um olá amarelo.
Ajudem a ajudar. Vamos fazer de Portugal um país unido nem que seja na desgraça.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Casar tem um peso enorme na sociedade não é?

O casamento sempre foi um tema muito presente na minha vida por vários motivos:
Hoje casava-se um primo meu, amanhã uma amiga da minha tia, no outro dia uma amiga minha...e de facto eu acho o casamento um acto muito bonito. Porém não acho que o casamento seja hoje em dia considerado como um acto bem pensado.
Para falar verdade, pelo menos na minha opinião, eu não sou aquele tipo de mulher que sempre sonhou com um casamento, aquela ideia do vestido de noiva, do dizer aquela palavra mágica perante um padre, uma enorme boda e depois uma bela Lua de Mel. Acho tudo lindo sim, mas nunca foi algo com que sempre sonhasse e com a idade a avançar, as ideias começam a definir-se na nossa cabeça, até poderia ser que tivesse alterado esta minha opinião, mas não.
Na minha opinião, há-de haver um dia em que é chegado aquele momento em que duas pessoas decidem finalmente dar um passo em frente e viver juntas. Porém, e embora eu seja a favor que assim seja, nem todas as pessoas acham uma coisa bonita de se ver.
Já repararam naquela tendência para se dizer: Olha a Carla juntou-se com o Daniel. Olha a Filipa é junta com B, a Mónica diz que se vai juntar...
Porque não dizer-se simplesmente que duas pessoas querem compartilhar o mesmo espaço, serem felizes juntas? ( Ou pelo menos tentar...)
Para muitos, uma pessoa que não se case não é bem vista pela nossa sociedade. Isso sempre me fez muita confusão. Que raio tem um simples papel de tão importante e soberano que muda a forma como as pessoas são vistas? Já me parece o tema do post anterior que fiz em que as pessoas adequam o seu discurso consoante a estatura social do outro. Acho isso tudo uma palermice de todo o tamanho.
Não sou contra o casamento e para ser honesta em tempos estive quase a dar esse passo. O amor é de facto uma coisa que nos faz tomar decisões e jamais direi que desta água não beberei. Mas o que me faz confusão é a importância atribuída a uma folha de papel com uns rabiscos ali e a bênção do Senhor ser a prova de que duas pessoas de facto se amam.
Para mim, o amor não está numa folha de papel e no dinheiro que se gasta num casamento. O amor é a celebração de um sentimento reciproco entre dois seres de sexos opostos, ou até do mesmo sexo numa causa comum. Nada mais simples que isso. Não são precisas provas para se provar o que se sente. O facto de se dizer que se ama é já sinal de que há sentimento. Embora a palavra "Amo-te" esteja já tão banalizada e toda a gente a use por todos os motivos possíveis, até para iludir o outro, não podemos sempre julgar as pessoas assim.
Hoje eu vejo o casamento como uma festa. Passo a explicar:
As pessoas hoje casam na sua maioria por se dizer que é bonito, por quererem fazer a vontade á mãe, por se dizer que fica bem, por se fazer uma grande festa e esta é a causa principal. Vão logo procurar o melhor vestido, o melhor local para a boda, tudo do bom e do melhor e mais tarde, depois da tão linda jura do Aceito amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, em todos os dias das nossas vidas acontece um imprevisto e acabam por se separar. Claro que não temos que ver as coisas logo de forma trágica. Não podemos pensar que nos vamos casar e mais tarde nos vamos divorciar, isso seria um perfeito disparate, mas para se celebrar um evento há diversas festas que se podem fazer e que não implicam dar um passo tão sério. Casar não é só meter um anel no dedo. Tem que ser muito bem pensado, saber-se mesmo se é isso que se pretende.
Estará errado o meu ponto de vista?
Encarem o casamento como um dos passos mais importantes que já alguma vez deram. Não banalizem esse acto, não façam de um casamento um momento de party. Amem com o coração.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Hoje só te dão um prato de sopa de virem bem os teus sapatos

É caricato este título não é verdade? Mas é uma grande verdade.
A mentalidade do homem tem sofrido uma grande revolução nestes últimos tempos e a desculpa é a crise.
Por motivos de crise não se compra mais, por motivos de crise não se oferece mais, por motivos de crise temos que poupar. Tudo muito bonito, mas se formos a ver também é nos motivos de crise que mais se gasta e vai-se lá saber porquê. Por exemplo, no Domingo passado vi os ídolos e um dos concorrentes, o Alexandre Diouf, tem um mega fã que lhe escreveu no Facebook que só para votar nele gastou todo o seu salário. E agora eu pergunto a vocês: Esta pessoa tem falta de dinheiro? NÃO!
Para onde quer que eu vá, o cenário com que me tenho deparado é o seguinte: Olham-te sempre para os sapatos em primeiro lugar, antes de te olharem para todo o resto.
As pessoas SEMPRE foram julgadas pela sua aparência, sempre. É uma característica comum no homem é olhar sempre o próximo pelo que ele trás vestido. E dito isto lembrei-me de uma frase do famoso Schiller que vem mesmo em boa hora, vejam só:
"Todos julgam segundo a aparência, ninguém sobre a essência".
E é uma grande verdade. Até para aquelas pessoas mais carenciadas que procuram Institutos de caridade como a Cruz Vermelha ou as Cáritas, para te darem alimentação primeiro terão de ver bem o que levas vestido. E as pessoas que merecem um prato de sopa lá têm que dormir na rua, caso não durmam têm dinheiro. A segurança Social antes estendia a mão a pessoas que não tinham o que comer, dando-lhe um cheque que depois era entregue num supermercado e se levantava em bens alimentícios e hoje onde paira essa ajuda? Não há! Até cortam nos rendimentos de pessoas que necessitam verdadeiramente de ajuda, de pessoas doentes que eles dizem não estarem doentes o suficiente para serem merecedoras de uma esmola e as mandam trabalhar com graves problemas de saúde. Fico revoltadíssima com essa situação e muitas outras que nem valem a pena ser faladas, dado que todos vocês têm consciência, ou pelo menos deveriam de ter, que o nosso país está mesmo nas últimas e se vai levantar uma guerra enorme um dia destes.
As pessoas, hoje em dia mais do que nunca, olham sempre ao que levas vestido, ao que calças, a tudo. Se tens um bom casaco, nem interessa se te foi oferecido, é bom, logo tens dinheiro. Toda a gente já reparou na diferença discursiva que há entre a forma como se trata um advogado e um trolha. É porque o advogado tem uma profissão de maior mérito perante a sociedade que o trolha. Mas no fundo tudo isto não passa de um trabalho comum para bem de todos nós. Todos precisamos de ganhar para as nossas despesas e hoje cada vez mais precisamos e temos de apertar os cintos.
Outro factor que se passa muito á nossa volta é termos sempre a mania de olhar um ser humano carenciado e termos o chamado sentimento de pena mas não fazermos nada para o ajudar.
Nas escolas era muito comum os professores (e ainda é) terem sempre aquela expressão de pena pela Madalena não ter casa e viver numa tenda. Por isso olhavam sempre para ela com aquela expressão diferente da forma como olhavam  a Rute por exemplo. Porque a Rute era filha de uma juíza e de um vendedor de automóveis que andam sempre vestidos com aquelas farpelas e engravatados. Logo faz toda a diferença.
O que acham disto? Podem comentar honestamente que eu não ficaria nada espantada se visse algum comentário com uma opinião mesmo distinta.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Maus tratos deveriam de ser punidos

E digam lá que eu não tenho razão nas coisas que digo? Tenho, eu sei que tenho.
Uma prática muito comum por parte de grande parte dos homens para com as suas mulheres são precisamente os maus tratos físicos. Mas quem fala dos físicos fala também dos psicológicos.
Para já, uma mulher, antes de se olhar para ela e se dizer que é uma mulher, tem de ser vista como um ser humano comum e como tal deveria de ser tratada com todo o respeito. Eu sei que também há muito boas senhoras que tratam mal os seus homens, mas regra geral vejo mais o contrário acontecer e questiono-me sempre o que leva um homem a mostrar o seu lado mais agressivo e animal para com o ser delicado que é a mulher.
Em países como Marrocos, por exemplo, vejo muitos casos de mulheres a terem de se sujeitar ás regras do seu homem, o que me faz uma confusão tremenda. Para eles, a mulher é mais uma máquina de fazer filhos e uma peça de lavandaria que propriamente um ser humano com quem possam compartilhar as tarefas.
Na verdade, os maus tratos a mim metem-me nojo.
Deveríamos todos de ter o direito de poder usufruir da nossa liberdade, mas lá não funciona assim. Um homem em Marrocos anda com quem bem entende e faz o que bem entende. As mulheres não. Uma mulher que decida divorciar-se do marido em Marrocos fica sempre mal vista perante todas as pessoas que conhecem a família do seu pai. Não consigo perceber que tipo de mentalidade há na cabeça daquelas pessoas por não conseguirem perceber que está no direito de uma mulher divorciar-se se assim tiver de ser.
Não podemos ficar presas a uma relação que está mais que acabada só para causar bom aspecto do lado de quem vê, do lado de fora. Em casa não é igual ao que o que as pessoas vêm por fora.
Dar a imagem de bom marido é sempre uma técnica muito usada pelos homens e começo a achar que se tornou um vício querer mostrar que se é bom numa coisa que nem sequer têm a capacidade de o ser.
Um bom homem é aquele que se preocupa com a mulher que tem em casa, aquele que dá dinheiro para a ajudar a sustentar os filhos, dado que os filhos não foram só feitos por ela. É muito giro meter lá o coisito de passados nove meses toma lá e atura-o tu que eu sou o patrão da casa.
Acho uma falta de dignidade tremenda aos homens que mal tratam as suas mulheres desta forma e ainda lhes batem. E quando não lhes batem há sempre uma palavra sábia que vale mais que mil bofetadas. Ninguém merece viver numa situação assim.
Essa mentalidade deveria de ser abatida de uma vez por todas.
O mal é que essas leis, se é que poderei considerar aquilo de lei, não terminam só por obra de graça do Espírito Santo. Acreditar em Deus nestes casos só não basta. É necessário que se faça alguma coisa para reverter toda esta situação vergonhosa que se passa no nosso mundo.
Uma grande amiga minha passa precisamente por esta situação. O caricato desta história é que o marido dela, além de a ter como mulher ainda queria ver se arranjava uma segunda mulher, de forma a obter a legalização em Portugal. Claro está que depois disso a segunda mulher seria lixo na vida dele.
Já pararam para pensar neste assunto um minuto que fosse? O que vos parece?
Quem cala, muitas vezes não consente. Apenas não sabe o que dizer.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Hoje em dia é moda dizer que sim só porque sim

Até eu mesma fiquei baralhada com o título do post, mas é mesmo uma grande realidade.
Hoje é uma moda as pessoas dizerem que sim a tudo e não há nenhuma razão aparente, apenas porque a amiga disse que sim, porque a mãe quer que se diga sim ou porque o papagaio disse sim e pronto, foi sim.
Parece que neste mundo aparentemente tão liberal há alguma coisa que não está bem. E na minha opinião, efectivamente não está bem em muita coisa. Ele é política, ele é financeiramente ( então neste campo nem sei que mais vos diga, estamos de facto a cair) e ele é na maneira de pensar e agir. E não me venham dizer que não repararam que também o pensamento do homem alterou porque alterou sim e muito. Parece que com toda esta crise mundial o homem resolveu tomar um analgésico altamente forte e apagou por completo. De outra forma nem tenho grandes argumentos para vos dar sobre esta mudança de comportamento.

Hoje em dia, não ter uma opinião formada sobre um determinado tópico, pelo menos a mim, parece-me um erro gravíssimo. Muitas pessoas correm atrás do que outras pessoas lhes dizem e acabam por correr o risco de não tomarem a escolha certa. Muitos dos erros que se cometem nesta vida são por conta de opiniões alheia e não me digam que não são porque são sim.
Por exemplo, se eu vou comprar uma peça de roupa a uma loja e a senhora da loja me mete diante dos olhos algo que não gosto, porque raio eu teria de dizer que gosto? Só para ser simpática? Não precisamos de ser desagradáveis com as pessoas só por não concordarmos com o que elas pensam ou nos mostram. Temos é que ser honestos com elas e mais do que isso, verdadeiros connosco próprios.
Mas há muito boa gente que resolve comprar a tal peça de roupa só mesmo por não conseguir dizer a palavra não e isso faz-me mesmo confusão.
A mesma coisa se pode aplicar ás relações sexuais. Foco este assunto porque me faz mesmo confusão isto, se querem saber. Uma rapariga está com um rapaz ( por gostar dele, note-se logo) e a dada altura ele pergunta-lhe se ela quer dar um passo em frente. Ela gosta mesmo muito dele, mas isso bastará para dar esse passo se ela ainda não se sentir pronta? Francamente NÃO
É um erro que muita gente comete e que não entendo porque não disseram não. É tão simples como dizer uma simples palavra e ficarão os dois mais felizes da vida. Sério, e ninguém se magoa. Porque aceitar só para não magoar o próximo acabará por magoar mais a própria pessoa e diga-se de passagem que em assuntos de sexualidade a mulher sofre sempre muito mais que um homem com essa coisa do que fica bem e mal, mas isso é uma questão de valores e não vem ao caso. Poderei falar deles num outro post.
Ninguém é obrigado a dizer que sim só para parecer bem ou mesmo para não adiantar o rumo da conversa.
Pode-se muito bem dizer que sim ou que não, mas de acordo com o que realmente achamos que esteja certo para nós. Eu não apanharia uma buba tremenda só porque me dava trabalho negar, porque depois iria ficar a servir de vela no meio do pessoal bêbado e tal. Eu não tenho que o fazer só para me integrar e simplesmente não o faço e já passei por essa situação e não o fiz só para mostrar que me integro. Uma pessoa pode integrar-se de mil e uma formas diferentes sem fazer asneiras ou seguir o que o outro faz ou diz ou pensa.
Metam uma coisa nas vossas cabeças, o que vai na nossa cabeça tem muito mais valor do que o que é seguido da cabeça de outra pessoa. E se deixamos de dar ouvidos ao nosso intelecto para ouvir o de outra pessoa, esquecemos de quem somos para seguir o outro e isso para mim não é correcto. Sejamos originais, nós mesmos e façamos as coisas que achemos correctas. A mim isto parece-me um bom apelo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Linguagem da alma

Não somos do mesmo mundo. Somos de mundos diferentes. Somos dois seres que vivem isolados, distintos, separados e acolhidos nos braços da escuridão.
A escuridão, essa mãe soberana de todos os nossos maiores pesadelos, aquele que me esconde de ti.
Vivo nesse mundo totalmente aparte do teu. Nesse mundo sujo em que livremente me depositaste para não mais me encontrar.
Hoje busco a verdade das tuas palavras. A verdade que outrora se pode dizer que esteve escrita nos teus olhos. Esses olhos grandes que hoje choram sem perceber ao certo o motivo. Olhos infelizes que vivem de encenações e sorrisos forçados para tapar toda a verdade.
Vivo nesta amargura constante de te buscar sem te encontrar. Mas mesmo assim não desisto. Não desistirei de te buscar no mais escuro de ti, desse lado negro que te agarra pelos braços de cada vez que sonhas em fugir. E mesmo que quisesses não poderias. Mesmo que tentasses essa escuridão iria seguir-te até te alcançar para depois de amarrar com mais força contra o seu leito negro.
Falamos a mesma linguagem, mas não conseguimos nunca entender o que o outro diz.
Passas por mim, finges não me conhecer e é o melhor.
Por vezes sinto que me queres dizer algo, que me queres falar, escapar dessa mentira inútil onde te meteste e falar-me essas palavras vindas do coração. Mas calas-te. Tens medo que a verdade te surpreenda. Sonhas com um mundo livre para te poderes pronunciar, mas ambos sabemos que esse mundo que idealizas não existe.
Foge!
Corre para longe de ti mesmo. Espanta essa escuridão que te consome, deixa as palavras saírem dessa alma presa, desse ser jovem que veste a capa de ladrão de sonhos. Vive. Não temas em viver por ti, segue os teus sonhos e luta por aquilo que vale realmente a pena. Deixa o meu coração bater livremente. Sem ti, ele pode bater livremente.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cega

Ceguei, não consigo ver nada.
Tentei procurar um sitio onde me agarrar, uma mão que pudesse por momentos segurar a minha para não me fazer cair.
Depois de tanto buscar no escuro por entre o frio das minhas mãos gélidas uma mão fria segurou a minha.
Perguntei quem era, mas não obtive resposta.
Aos poucos a minha visão começou a voltar ao normal. Os meus olhos que até então cegaram começavam agora ver com toda a clareza e tu, esse ser que tão firmemente me segurava, olhava-me fixamente.
Fiquei espantada. Tu, aquele que outrora me havia afungentado da sua vida, de novo no meu caminho.
Tentei falar, mas ficara com as palavras presas nesta boca seca. As palavras presas como réus, a debaterem-se fortemente nas grades das minha cordas vocais, a implorar por liberdade, para que pudesses entender que não preciso mais da tua mão.

Eu posso não ver com clareza, mas a mão que me segura  não é mais a mesma.
Outrora tu foste aquele por quem eu tantas vezes me debati para sentir a tua mão. Hoje não. Hoje é  diferente.
Hoje tu procuraste a minha mão, olhaste-me fixamente, como que esperando um perdão. Mas não há nada.
De mim para ti não existe mais nada. Apenas o meu olhar cego, que teima em cegar, para não te ver passar por mim.